''''Mérito desse resultado é de vários governos'''', diz ex-secretário

O crescimento médio de 30% ao ano do mercado de crédito brasileiro é um indicador extremamente positivo não apenas para o setor em si, mas também para a população, já que aumenta a renda per capita e o bem-estar social. A avaliação é do ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e diretor-executivo do Unibanco, Marcos Lisboa, durante o 6º Seminário Febraban de Economia, realizado em São Paulo.Segundo ele, nos últimos anos o volume de crédito em relação ao PIB dobrou, chegando a 28% em 2005. Mesmo assim, segundo Lisboa, o Brasil ainda está muito distante de países como Chile (82%), França (93%) e Estados Unidos (194%). "O mérito dessa expansão é de vários governos", disse, acrescentando que o salto de qualidade do setor está relacionado à estabilidade econômica, às reformas microeconômicas e à maior segurança jurídica. O diretor do Unibanco enfatizou ainda que, de 2001 a agosto de 2007, enquanto o PIB cresceu 90%, a expansão do crédito foi de 154%. "O número é impressionante."Lisboa citou o crédito consignado como "ótimo" exemplo da melhora do mercado, já que vem provocando grande diminuição da inadimplência, o que fez as taxas caírem pela metade. "O setor de veículos é outro caso (de sucesso)", citou, explicando que seu desenvolvimento só foi possível graças à possibilidade de alienação fiduciária aprovada no governo FHC. "O crescimento desse mercado é de 20% a 30% ao ano e, mais da metade, está relacionado a financiamento", comparou. O ex-secretário apresentou ainda outros dados de expansão relacionados a bancos desde 2001 até agosto deste ano: houve aumento de 44% de contas correntes; de 47% de poupança e de 151% de transações via cartões. Para Lisboa, não houve aumento das tarifas bancárias superior à inflação, conforme apontam estudiosos. Na avaliação do ex-secretário, os principais riscos de curto prazo para o Brasil estão relacionados à questão fiscal e à solidez do País perante uma possível desaceleração mundial. Ele questionou se as políticas fiscais e monetárias do País estão realmente alinhadas. Em relação ao segundo ponto, Lisboa perguntou o quão sólido está o País para enfrentar a desaceleração da economia mundial: "Será que estamos tão sólidos assim? E como vamos lidar se amanhã descobrirmos que não estamos tão bem?"

Célia Froufe, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2007 | 00h00

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