Merkel admite que proposta para mudar tratado da UE enfrenta resistência

Chanceler ressaltou que alterações são necessárias para provar aos mercados o comprometimento dos governos com a estabilidade 

Álvaro Campos, da Agência Estado,

29 de novembro de 2011 | 11h51

BERLIM - A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, admitiu nesta terça-feira, 29, que nem todos os governos europeus estão entusiasmados com sua proposta para mudanças no tratado da União Europeia, mas disse que essas alterações são necessárias para provar aos mercados financeiros o forte comprometimento dos governos com as regras de estabilidade.

Os comentários de Merkel são feitos no momento em que França e Alemanha preparam uma proposta para amplas reformas para aprofundar a integração econômica na zona do euro, e assim conter a crise da dívida no bloco. Merkel tem dito repetidamente que as mudanças são necessárias para que as autoridades europeias tenham ferramentas a disposição para forçar países problemáticos a cumprir as regras de estabilidade.

"Nem todos são entusiastas das mudanças no tratado", disse Merkel em uma coletiva de imprensa após se encontrar com Abdullah II, rei da Jordânia. A chanceler disse estar ciente de que essas alterações podem exigir complicados processos de votação em alguns governos e parlamentos, ou até mesmo a realização de referendos.

Mas os investidores que aplicam nos bônus europeus esperam um forte comprometimento com o Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE, acrescentou Merkel. Segundo ela, o pacto já foi violado mais de 60 vezes desde a introdução do euro, a pouco mais de dez anos. "Nós precisamos de regras compulsórias, e nós não vamos consegui-las sem uma mudança no tratado". Entre outras coisas o tratado estabelece que o déficit orçamentário não pode ultrapassar 3% do PIB e que a dívida pública não deve exceder 60% do PIB. Atualmente a maioria dos membros do bloco não cumpre essas regras.

Mas Merkel sabe que os resultados das mudanças não devem ser tão rápidos. Ela já adiantou que uma reunião de cúpula da UE que acontecerá na sexta-feira não deve chegar a decisões sobre as alterações no tratado. As informações são da Dow Jones.

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