Merkel e Hollande discutem crescimento

Chanceler alemã comete ato falho ao chamar francês de François Mitterrand

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2013 | 02h04

A reunião deveria servir para demonstrar a sintonia perfeita entre os líderes políticos da Alemanha e da França. Mas, em pleno Palácio do Eliseu e em frente à imprensa internacional, a chanceler Angela Merkel chamou ontem o presidente de François Hollande de... François Mitterrand. O ato falho aconteceu em uma entrevista na qual a chefe de governo e o chefe de Estado apresentaram as propostas de estímulo ao crescimento que os dois levarão a Bruxelas na próxima cúpula da União Europeia.

A reunião foi o primeiro encontro bilateral Merkel e Hollande desde a troca de farpas em torno da austeridade fiscal na Europa, no início do mês. A alemã era convidada de honra da exposição "Da Alemanha - de 1800 a 1939", inaugurada no Museu do Louvre. Após a visita à mostra, os dois se dirigiram ao Palácio do Eliseu onde discutiram assuntos econômicos, entre os quais o novo relatório Competitividade e Emprego, com mais de 30 propostas em política energética, comercial, de investimentos, de concorrência e de fiscalidade que deverão ser adotadas pela zona do euro até o final de junho.

Após o encontro, Hollande e Merkel deram entrevista coletiva. Então, a alemã confundiu seu interlocutor com o outro presidente socialista que governou a França entre 1981 e 1995. "Os temas sobre os quais nós trabalhamos foram evocados por François Mitterrand: trata-se de estimular a competitividade, o emprego, o crescimento", disse ela, sem se dar conta do lapso, o que fez Hollande sorrir. "O desemprego de jovens, claro, tem uma importância no nosso projeto", continuou, até perceber o equívoco: "François Hollande, não François Mitterrand! François Hollande!".

Europa parada. Apesar do ato falho, Merkel anunciou que ela e o presidente francês defenderão a investimento urgente do orçamento de € 120 bilhões do chamado Pacto de Crescimento, plano de estímulo à atividade econômica assinado em novembro de 2012 em Bruxelas, mas até hoje nunca implementado.

Os dois líderes também apoiaram a proposta de criação de um presidente para o fórum de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), que ganhará um caráter institucional e terá como missão aprofundar a integração econômica na Europa. "Sobre a organização da governança econômica, nós estamos de acordo para que haja mais cúpulas da zona do euro com um presidente do Eurogrupo em tempo integral, que terá meios reforçados", afirmou Hollande. "A Europa está parada no plano econômico, mas ela é a saída para a crise financeira."

Para combater a estagnação, que neste momento também atinge seu país, a chanceler afirmou que precisa "de mais cooperação na Europa".

Questionado sobre sua reação diante das cobranças de mais reformas feitas pela União Europeia, o presidente francês marcou posição, dizendo aceitar o fato de que a França tem missões a cumprir, mas sem prestar contas sobre como as fará. "O método e as medidas são de responsabilidade da França", reiterou, garantindo que seu governo fará a reforma da previdência recomendada por Bruxelas, mas da forma como os socialistas entenderem que devem fazê-la. "A Comissão Europeia dá recomendações, ela não substitui os Estados dizendo o que eles devem fazer."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.