Merkel e Hollande pedem união anticrise

Em ato que lembrou os 50 anos da reconciliação franco-alemã, líderes ressaltam responsabilidade dos dois países no combate à crise europeia

LUDWIGSBURG, ALEMANHA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h11

"França e Alemanha têm responsabilidade especial na luta contra a crise da dívida na zona do euro e estão comprometidos a trabalhar juntos", disseram ontem o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel. Os líderes europeus se encontraram em Ludwigsburg, no sul da Alemanha, em cerimônia que lembrou os 50 anos da reconciliação dos dois países após a 2.ª Guerra.

O local da cerimônia foi o pátio do Palácio de Ludwigsburg, onde há meio século o então presidente francês Charles de Gaulle fez um discurso prometendo amizade e reconciliação histórica entre os dois países. O evento marca a abertura das comemorações do ano França-Alemanha. Falando em frente ao palácio, os dois líderes ressaltaram os desafios que a Europa enfrenta hoje.

Para Hollande, a Europa precisa constituir uma união política e social, e não se integrar apenas nos setores bancário e financeiro. "A resposta à crise tem apenas um nome: Europa, é a Europa que vencerá a crise", destacou o presidente francês. "Viva a amizade franco-alemã", disse Hollande, em alemão.

"Não temos escolha a não ser seguir em frente. Alemanha e França têm uma responsabilidade especial. Somos o coração da Europa", ressaltou o presidente francês. "Embora França e Alemanha não possam decidir por outros países, devem compartilhar seu ponto de vista", acrescentou. Hollande ressaltou a necessidade urgente de que sejam criadas as condições para crescimento econômico, combate ao desemprego juvenil e melhor controle do setor financeiro.

Anfitriã do evento, Merkel também destacou que os seus países desempenham papel especial. "Estamos trabalhando para uma recuperação duradoura na Europa. Alemanha e França têm responsabilidade especial para isso", disse ela. A chanceler alemã descreveu seu relacionamento com Hollande esta semana como "de confiança", apesar dos apelos do presidente francês por medidas de crescimento, que são consideradas um revés para a agenda de austeridade liderada pela conservadora Merkel.

"As palavras de De Gaulle marcaram toda uma geração", disse Merkel sobre o discurso de 50 anos atrás. Ela recordou que na época do discurso do general francês tinha oito anos e morava na Alemanha Oriental, do outro lado do muro, que havia sido construído um ano antes. "Na ocasião, era inimaginável pensar em estar aqui."

Alemanha e França, primeira e segunda economias da União Europeia, respectivamente, são os dois maiores contribuintes dos fundos de ajuda para os países em dificuldades da zona do euro (com cerca de 27% e 20%, respectivamente).

Os dois países precisam de um acordo para salvar a moeda única, mas têm divergências: a França quer avançar rapidamente na criação de uma supervisão bancária, mas a Alemanha não tem pressa. Outro tema espinhoso é o projeto de fusão do grupo europeu Eads, fabricante do Airbus, com o britânico BAE Systems. A fusão criaria a empresa líder mundial do setor, à frente da americana Boeing.

Jubileu. Até julho de 2013, Alemanha e França vão comemorar seu jubileu de reconciliação com uma série de eventos. O ponto alto das comemorações do ano França-Alemanha será uma cerimônia marcada para o dia 22 de janeiro próximo, em Berlim.

A data lembra a assinatura do Tratado do Eliseu no palácio presidencial francês em 22 de janeiro de 1963, pelo então presidente Charles de Gaulle e o ex-chanceler federal alemão Konrad Adenauer. O acordo sobre "a organização e os fundamentos da cooperação entre os dois Estados" selou a reconciliação entre os dois antigos "arqui-inimigos". Poucos meses depois, Charles de Gaulle visitaria a Alemanha. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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