Merkel e Sarkozy criam 'posição comum' antes de reunião sobre crise grega

Detalhes da decisão dos dois líderes serão anunciados em encontro nesta quinta, em Bruxelas, que abordará dívida da Grécia.

BBC Brasil, BBC

20 de julho de 2011 | 23h23

Às vésperas de um encontro que tentará resolver a crise da dívida grega e evitar o contágio a outras economias da zona do euro, os líderes da França, Nicolas Sarkozy, e Alemanha, Angela Merkel, disseram nesta quarta-feira que levarão uma "posição comum" à reunião.

Os líderes das duas maiores economias da zona do euro conversaram por sete horas em Berlim, e um comunicado da Presidência da França informou que Sarkozy e Merkel "chegaram a um acordo em uma posição franco-alemã", sem dar mais detalhes.

Mas sabe-se que Merkel vinha insistindo em que credores privados também participem do socorro financeiro à Grécia, de forma que o fardo não recaia apenas sobre os impostos pagos pelos cidadãos europeus.

Segundo a agência Reuters, citando fontes da delegação francesa, a posição comum bilateral incluiria uma contribuição do setor bancário europeu.

Os detalhes da proposta franco-alemã serão levados ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, antes do começo do encontro desta quinta, que ocorrerá em Bruxelas.

A União Europeia debate um segundo pacote de resgate para a Grécia, na tentativa de evitar a moratória do país e o contágio da crise para outras nações periféricas e também endividadas, como Portugal e Irlanda.

O presidente da Comissão Europeia (braço executivo do bloco), José Manuel Barroso, disse que "ninguém deve ter ilusões: a situação é muito séria e requer resposta. Caso contrário, as consequências negativas serão sentidas em todos os cantos da Europa e além".

A Grécia começou a receber seu primeiro pacote de resgate em maio do ano passado, mas a crise da dívida continua a minar a confiança nos mercados financeiros globais, e há analistas que colocam em xeque a própria sobrevivência do euro.

Divergências

Apesar do consenso sobre a seriedade da situação e sobre a necessidade de um novo pacote de resgate para Atenas, há divisões entre os políticos quanto à melhor maneira de resolver a crise.

Muitos acreditam que o resgate será um mero curativo, que não resolverá a essência do endividamento grego.

Atenas já vem implementando uma série de impopulares medidas de austeridade, incluindo cortes de gastos e aumentos de impostos, cujos resultados ainda são incertos.

Parte dos políticos e analistas europeus defende a reestruturação da dívida, adiando os pagamentos de vencimentos de curto prazo.

A Alemanha defende uma solução nessa linha, em que investidores privados, em especial bancos de grande porte, participem da reestruturação.

Já o Banco Central Europeu se opõe com veemência à proposta alemã, argumentando que a reestruturação seria vista como um calote sob os olhos dos credores internacionais e das agências de classificação de risco, reduzindo a confiança externa sobre o euro. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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