Hannibal Hanschke/Reuters
Hannibal Hanschke/Reuters

Europa condiciona permanência no euro a resultado de referendo na Grécia

Presidente da França e chanceler da Alemanha fazem pronunciamentos nos quais afirmam que eventual vitória do "não" sobre a austeridade encaminhará saída da Grécia da zona o euro

Andrei Netto, CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2015 | 09h17

Atualizado às 14h21

PARIS - Dirigentes das três maiores potências da União Europeia, Alemanha, França e Itália, condicionaram nesta segunda-feira, 29, a permanência da Grécia na zona do euro a uma vitória do "sim" no referendo sobre a austeridade fiscal convocado pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. No domingo, a população será consultada sobre a proposta de reformas de Estado e econômicas feita pelos credores internacionais, que pressupõe um aperto de cinto de € 7,6 bilhões. 

As posições dos três dirigentes foram conhecidas ao longo do dia em Paris, Berlim e Roma. O primeiro a se manifestar foi o presidente da França, François Hollande, que pela manhã coordenou uma reunião extraordinária sobre a crise da Grécia. O chefe de Estado reconheceu o direito de Atenas de consultar a população sobre o destino do país, mas advertiu para o significado de uma eventual vitória do "não". 

"A Grécia decidiu consultar o povo por referendo, e é sua escolha soberana, democrática, é direito do povo grego de decidir sobre seu futuro", ponderou, completando a seguir: "A questão fundamental é que caberá aos gregos dizerem se querem permanecer na zona do euro – onde é seu lugar a meu ver –, ou se preferem assumir o risco de sair."

Segundo Hollande, a França permanece a aberta a mediar um acordo, mas a Grécia precisa ter vontade de chegar a um entendimento. "A França deseja que a Grécia siga na zona do euro e está pronta a agir, mas só pode fazê-lo se houver a vontade comum de chegar a um acordo", disse. "A França ainda está disponível para que o diálogo possa ser retomado hoje ou amanhã. Hoje ainda há a possibilidade de um acordo. Amanhã dependerá a resposta que os gregos darão no referendo."

À tarde, foi a vez da chefe de governo alemã Angela Merkel afirmar que Tsipras tem o direito de consultar o povo grego, mas advertir que "a solidariedade e o esforço andam juntos". "É um direito legítimo do governo da Grécia de realizar o referendo e seu resultado terá de ser respeitado", reconheceu. "Mas também é direito legítimo da parte de outros membros da zona do euro de reagir a essa decisão do governo grego."

Merkel descartou que a ruptura das negociações anunciada na sexta-feira pelo governo de Tsipras vá alterar a postura da União Europeia, que ontem não aceitou o pedido do governo grego para adiar o vencimento da dívida de € 1,6 bilhão com vencimento nesta terça-feira, e que pode resultar em um calote de pagamentos – o primeiro da história do euro. "O que se passou não mudará o nosso comportamento", frisou.

A chanceler criticou Tsipras ao comentar os cinco meses de negociações com os credores internacionais. "A vontade de um compromisso não estava presente do lado do governo da Grécia", afirmou. Agora, segundo a chanceler, a população grega terá a oportunidade de se pronunciar. Sem defender de forma aberta o voto pelo "Sim", Merkel ressaltou que o referendo "está evidentemente ligado à manutenção da Grécia no euro".

Por outro lado, a chanceler não descartou a reabertura de negociações após a consulta de domingo. "Se nós perdermos a capacidade de encontrar compromissos, a Europa está perdida", reconheceu. "Se o euro fracassar, a Europa fracassa."

Também à tarde o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, veio a público nas redes sociais comentar o voto de domingo – e no Twitter foi mais aberto que a chanceler alemã. "O ponto é: o referendo grego não será um clássico entre a Comissão Europeia versus Tsipras, mas do euro versus o dracma", avaliou, referindo-se à moeda grega anterior à divisa única. "Essa é a escolha." 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.