Merkel fala em corte de até 60% da dívida grega

O líder do Partido Verde alemão, Cem Oezdemir, que participou de uma reunião com a chanceler Angela Merkel ontem, afirmou que ela disse aos presentes que o desconto no valor dos títulos do governo da Grécia detidos por investidores privados (haircut) deve ficar entre 50% e 60%.

BERLIM, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h06

Merkel também teria dito que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (Feef) deve ser alavancado a mais de 1 trilhão. A informação condiz com a matéria publicada pela Associated Press, que além de Oezdemir cita o líder do Partido Social Democrata, Frank-Walter Steinmeier.

A chanceler teria dito ainda aos parlamentares na reunião que os bancos europeus precisam levantar cerca de 100 bilhões em capital, como parte de um plano de recapitalização de instituições consideradas sistemicamente relevantes. O plano envolve cerca de 90 bancos que participaram dos testes de estresse em julho. Do total, os bancos da Alemanha precisariam de 5,5 bilhões em capital extra.

Os líderes europeus também estariam preocupados com possíveis casos de corrupção no processo de privatização que o governo da Grécia vai realizar, segundo as informações de Merkel repassadas por Oezdemir. Para evitar fraudes e garantir o máximo de lucro possível com a venda de ativos estatais, a cúpula da União Europeia estuda criar um órgão de fiscalização internacional que supervisione o processo.

Novo fundo. A Europa pode pedir ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que crie um novo fundo especial para ajudar a solucionar a crise da dívida na zona do euro, afirmou uma fonte. A ideia é uma das opções analisadas por autoridades europeias para impedir que a crise chegue às maiores economias da zona do euro. O FMI teme que uma ação insuficiente dos líderes europeus coloque a economia global em recessão e desencadeie nova crise global.

As autoridades europeias analisam várias maneiras de permitir que um fundo recém-criado compre ou assegure bônus de países como Itália e Espanha e captem dinheiro para ancorar o capital de bancos em dificuldades. Uma das opções seria pedir ao FMI que administre o fundo de crise. Considera-se que o envolvimento do FMI daria mais legitimidade do que se a Europa o criasse e administrasse.

Funcionários europeus já estão sondando o interesse de potenciais participantes, inclusive países como o Brasil e a China, o setor privado e fundos soberanos, disse a fonte. O financiamento poderia vir também do Feef, com € 440 bilhões. / DOW JONES NEWSWIRES

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