Markus Schreiber/AP
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Em visita ao Brasil, Merkel deve fechar acordos e anunciar investimento

Além da cooperação na área ambiental, onde deve fazer um investimento de R$ 52 milhões, e na de energia, o foco alemão é tentar ampliar a presença de empresas no mercado brasileiro

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 09h46

BRASÍLIA - A chanceler alemã, Angela Merkel, chega nesta quarta-feira, 19, ao Brasil acompanhada de 12 ministros para uma reunião que seu governo trata como um diálogo estratégico, mas que Berlim precisou defender o encontro para seu público interno. Enquanto do lado brasileiro a esperança é ver a Alemanha ampliar os investimentos em infraestrutura, especialmente no Programa de Investimento em Logística, o governo alemão defende a visita como uma relação de longo prazo que deve focar em desenvolvimento tecnológico e parcerias na área de meio ambiente - especialmente na área de mudanças climáticas. 

Logo depois dos protestos de domingo, o porta-voz do governo alemão,Steffen Seibert, foi questionado pela imprensa local se seria uma boa ideia a viagem ao Brasil em um momento em que a presidente Dilma Rousseff vem sendo severamente criticada e corre o risco de perder o cargo em um processo de impeachment. A resposta foi que as "questões internas" do governo brasileiro não definem a agenda de visitas da chanceler e que as relações com o Brasil são "de primeiro nível" e importantes para o País. 

O encontro entre as duas chefes de governo - que não é uma visita de Estado, mas uma reunião bilateral de alto nível, no jargão diplomático - é a primeira de uma sequência de reuniões que devem acontecer a cada dois anos entre os dois governos para tratar de temas importantes para os dois lados e foi acertada durante a visita de Merkel ao Brasil no ano passado, durante a copa do mundo. A Alemanha só mantém esse tipo de diálogo com alguns países europeus - França, Espanha, Itália, Polônia e Holanda -, além de Estados Unidos, China, Israel, Índia e Rússia. O Brasil foi incluído na lista no ano passado. 

Investimentos. O foco alemão no Brasil, além da cooperação na área ambiental - o país deve fazer um investimento de R$ 52 milhões em programas nessa área - e na área de energia, é tentar ampliar a presença de empresas no mercado brasileiro e garantir espaço em um a concorrência com a China. A aproximação do Brasil com o país asiático, por intermédio dos BRICS. Em entrevista ao canal alemão Deustch Welle, Reinhold Festge, presidente da Associação dos Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais, destacou a necessidade dos produtos alemães "marcarem presença" no Brasil. 

Do lado brasileiro, a presidente pretende vender o plano de concessões para Merkel e tentar atrair investimentos, especialmente na área de portos. O Plano de Logística, que prevê a necessidade de R$ 198,4 bilhões para obras de infraestrutura, vem sendo vendido pela presidente em suas viagens ao exterior e nas visitas presidenciais que acontecem no Brasil - o governo vê como essencial a entrada de recursos estrangeiros para garantir que o plano saia do papel.

Merkel chega no início da noite de quarta-feira a Brasília e janta com Dilma no Palácio do Alvorada. Na quinta-feira, tem reunião privada no Palácio do Planalto, depois ampliada, incluindo os ministros, e almoço no Itamaraty. A chanceler alemã embarca de volta para Berlim às 16h.

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