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Merrill Lynch nega empréstimo à Vale, diz ''''FT''''

Banco considerou arriscada compra da Xstrata e foi afastado da operação

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

A Vale afastou o banco de investimento Merrill Lynch da condição de conselheiro na montagem da oferta pela mineradora anglo-suíça Xstrata, de acordo com o jornal Financial Times. A decisão, segundo a reportagem, teria sido motivada pelo fato de a instituição não ter aceitado participar do financiamento da operação.O negócio é estimado em mais de US$ 80 bilhões, podendo alcançar a cifra de US$ 90 bilhões. O valor financiado por bancos pode atingir os US$ 50 bilhões. O restante do valor seria assegurado com a emissão de ações preferenciais em favor do acionista controlador da Xstrata, a Glencore - maior trading global de commodities.O jornal afirma, com base em declarações de fontes não reveladas, que a Merrill Lynch teria chegado à conclusão de que as condições de financiamento do negócio não eram "viáveis" tanto para o banco quanto para os sócios da mineradora. O aperto de liquidez no mercado internacional, situação que se agravou depois da crise das hipotecas de alto risco dos Estados Unidos, reduziu a disponibilidade de capital de algumas instituições para ser alocado em grandes operações, como no caso da Vale e Xstrata. De qualquer forma, a diretoria-financeira da mineradora conseguiu costurar um acordo com um pool de 12 bancos, liderados pelo HSBC e o Santander, para levantar um empréstimo-ponte de US$ 50 bilhões.Ainda não há nenhuma informação sobre como poderia ser montada a operação financeira definitiva para esse empréstimo. De acordo com o FT, estão na lista de financiadores o Lehman Brothers, Calyon, Royal Bank of Scotland, BNP Paribas, Citi e Credit Suisse.A despeito do afastamento do Merrill Lynch, o jornal informou na edição de ontem que a oferta da Vale poderia ser anunciada ainda durante o feriado de carnaval. O prazo limite seria até amanhã, quando o mercado financeiro volta a abrir no Brasil. Mas, segundo uma fonte ouvida pela Estado, ninguém sabe com precisão a data da formalização da oferta e ainda há risco de ela não ocorrer.GOVERNOAté mesmo a resistência de parte do governo brasileiro em relação ao negócio já estaria superada, segundo a fonte. A questão estaria apenas em detalhes, principalmente sobre como se dará a emissão das ações preferenciais para a Glencore. "A pressão dos chineses contra o negócio torna cada dia mais urgente esse prazo", disse.O Banco de Desenvolvimento da China, segundo informação publicada pelo jornal Daily Telegraph, estaria negociando em sigilo a compra, por cerca de US$ 27 bilhões, da participação de 34,6% da Glencore na Xstrata. O objetivo seria o de criar um obstáculo adicional a uma eventual oferta da Vale pela mineradora.O banco chinês ajudou a Aluminum Corporation of China (Chinalco) a adquirir - em conjunto com a Alcoa - 12% do capital da Rio Tinto, mineradora que é alvo da BHP Billiton, a número um do setor mineral mundial. Analistas internacionais dizem que essas operações teriam como objetivo evitar a criação de duas supermineradoras mundiais: BHP/Rio Tinto e Vale/Xstrata.Ontem, o banco estatal chinês negou que esteja em negociação com a Glencore. A diretora do departamento de comunicação do banco, Yang Hua, disse que a instituição "não estava em conversação sobre tais investimentos".

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