Mesmo com alta do IOF, entrada de dólar cresce no País

Valor de US$ 1,66 bilhão, sem computar os últimos dez dias de outubro, já é 55% maior que o de setembro

Fabio Graner, Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Mesmo com o aumento da tributação sobre investimentos externos em renda fixa, o ingresso de dólares para se beneficiar dos elevados juros pagos pelo Brasil cresceu em outubro. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que foram aplicados por estrangeiros em títulos de renda fixa um volume de US$ 1,66 bilhão nos 21 primeiros dias de outubro. O valor preliminar é 55% maior do que o registrado em setembro, antes da elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O aumento do imposto para estrangeiros começou em 5 de outubro, quando a alíquota dobrou de 2% para 4%. "No fim de setembro e início de outubro, muitos anteciparam as transferências de dólares porque já havia o rumor de que o IOF poderia subir", lembra Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio.

Confirmado o aumento da tributação, porém, o fluxo estrangeiro continuou e o real seguiu se desvalorizando. Diante da persistência da tendência, houve nova alta do IOF para 6% há uma semana. "Na medida em que o imposto sobe, a atratividade do juro cai para o estrangeiro. Ainda mais se o investimento for de curto prazo", explica Nehme.

O diretor da NGO observa que o fluxo de dólares caiu nos últimos dias, período em que a alíquota já era de 6%. Ele espera números mais modestos na entrada de dólares nos últimos 10 dias de outubro. "A tendência é de queda no investimento estrangeiro em renda fixa", disse Nehme, ponderando que o custo extra do IOF é diluído em aplicações de prazo mais longo. Para ele, a insegurança em relação à possibilidade de mais medidas cambiais também coloca um freio no ingresso de dólares.

O governo quer reduzir o apetite de investidores interessados exclusivamente em operar por prazos curtos nos juros pagos pela dívida brasileira. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil está sofrendo com uma verdadeira "guerra cambial", já que países têm tomado medidas para tentar desvalorizar suas moedas e, assim, incentivar as exportações.

Ações e fluxo. O Brasil também atrai interessados no mercado acionário. Em outubro, a transferência para a compra de ações negociadas no Brasil soma US$ 4,35 bilhões. O valor preliminar do mês até ontem corresponde a 53% de toda a entrada registrada em setembro, quando houve o aumento de capital da Petrobrás. Ainda sem os últimos dez dias do mês, o resultado de outubro é o segundo maior do ano, atrás de setembro.

Aplicação estrangeira

US$ 1,66 bi é o valor total que os estrangeiros investiram em título de renda fixa nos primeiros 21 dias de outubro

US$ 4,35 bi é o total gasto pelos investidores até ontem para a compra de ações negociadas no Brasil

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