Felipe Rau/Estadão
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Mesmo com aumento das carnes, preços da cesta de Natal sobem menos que a inflação geral

Levantamento da Fipe mostra alta de 3,19% nos produtos mais consumidos nesta época do ano, enquanto o Índice Preços ao Consumidor (IPC) avançou 3,53%; pernil de porco subiu mais que o bacalhau importado

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 11h15

Mesmo com o recente aumento no preço das carnes, a inflação dos produtos da cesta de Natal apurada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) subiu 3,19% nos últimos 12 meses até a segunda quadrissemana de dezembro, abaixo da inflação geral de 3,53% no mesmo período. Se as carnes não estivessem tão pressionadas, a alta da cesta de Natal seria bem menor.

No ano em que a arroba do boi gordo bateu recorde histórico de alta no campo, as carnes suínas e bovinas são as vilãs da inflação dos alimentos mais consumidos neste período do ano. Elas desbancaram até o bacalhau entre os itens da ceia cujos preços mais subiram.

O pernil suíno com osso aumentou 50,39% nos últimos 12 meses até a segunda quadrissemana deste mês e liderou o ranking de 26 alimentos da cesta de Natal acompanhados pela Fipe, com base na pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

Dos cinco alimentos cujos preços mais subiram, quatro são carnes. Depois do pernil, filé mignon (46,49%), lombo suíno (24,2%) e picanha (22,88%) estão na lista das maiores altas. O bacalhau importado, muito procurado neste período e que sofre impacto direto do câmbio, perdeu de longe para as carnes e ficou 15,73% mais caro.

“A inflação da cesta de alimentos de Natal reflete o cenário da inflação como um todo, que está muito pressionada pela carne, um produto que pesa muito no consumo diário”, afirma o coordenador do IPC-Fipe, Guilherme Moreira.

 

O aumento das exportações de carne para a China e a menor oferta por conta da entressafra puxaram para cima as cotações da proteína animal desde o final de novembro. “As carnes estão subindo diariamente”, afirma Silvio Oliveira, sócio do açougue Porco Feliz, no Mercado Municipal de São Paulo. O quilo do pernil suíno, que custava R$ 14,80 no ano passado, hoje sai por R$ 18,80.

Oliveira diz que, apesar de o preço ter subido, as vendas estão boas porque as pessoas compram carne suína nesta época do ano por causa da tradição. “Poderia estar melhor, se o  preço não estivesse tão alto.”

No Empório Chiappetta, outro tradicional ponto de venda de alimentos do Mercadão, os preços do bacalhau estão bem comportados comparados aos das carnes. O quilo do bacalhau mais em conta, que sai por R$ 56, está, no máximo, 10% acima do valor do ano passado, calcula Leonardo Chiappetta.

Neste ano, o mercado como um todo importou da China um grande volume de peixe salgado, um produto que compete com o bacalhau. E isso ajudou a conter os preços. Mas Chiappetta diz que, no seu caso, a tradição de trabalhar com o peixe verdadeiro, o bacalhau importado da Noruega, foi mantida.

Em relação a outros itens que normalmente eram importados, como panetone, sorvete e panforte, um doce típico da Itália, o empresário decidiu nacionalizar esses produtos  para conseguir preços entre 20% e 50% menores do que os importados.

A demanda fraca, diz Moreira, da Fipe, tem sido uma força que joga contra a alta de preços.  No caso do azeite, por exemplo, um item importado, o produto está quase 12% mais barato nos últimos 12 meses.

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