Mesmo com boas notícias, Bovespa cai abaixo de 51 mil pontos

A sessão terminou em baixa de 0,28%, pela primeira vez abaixo de 51 mil pontos no mês, aos 50.903,02 pontos

Claudia Violante, da Agência Estado,

18 de junho de 2009 | 18h28

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tinha todos os argumentos para se manter em alta durante toda a sessão desta quinta-feira, 18: commodities subiram, os indicadores nos EUA favoreciam, as bolsas norte-americanas avançaram e a ata do Copom reforçou a análise de que haverá pelo menos mais um corte de juros - embora em menor intensidade do que o 1 ponto registrado no encontro deste mês. Mas a despeito disso tudo, o principal índice à vista oscilou muito e o sinal negativo predominou, em razão de movimentos técnicos.

 

Veja também:

especialAs medidas do Brasil contra a crise

especialAs medidas do emprego

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise 

 

Assim, a sessão terminou em baixa de 0,28%, pela primeira vez abaixo de 51 mil pontos no mês, aos 50.903,02 pontos. Esta é a menor pontuação desde os 50.816,24 pontos de 25 de maio. Na mínima do dia, registrou os 50.510 pontos (-1,05%) e, na máxima, os 51.275 pontos (+0,45%). Com o desempenho desta quinta-feira, no mês a Bolsa tem perdas de 4,31% e, no ano, ganho de 35,56%. O giro financeiro no pregão regular totalizou R$ 3,448 bilhões. Os dados são preliminares.

 

O evento desta quinta-feira foi a divulgação da ata da última reunião do Copom. O documento, que explicitou o que foi considerado pelos integrantes do grupo na reunião da última semana, sinalizou que o processo de desaperto monetário não terminou no encontro deste mês. Na ocasião, o BC surpreendeu o mercado ao cortar mais do que o previsto - 1 ponto porcentual. E tudo indica que esta redução não foi a última. O problema é que os analistas ainda não obtiveram um consenso sobre o que virá pela frente: alguns falam em 0,25 ponto na reunião de julho, outros, em 0,50 ponto. Mas o que vai ser, só o tempo, ou melhor, o Copom, dirá.

 

Fato é que qualquer que seja o tamanho do corte - e para ele há consenso - a Bovespa é beneficiada, já que a atratividade da renda fixa diminui com taxas de juros menores. Apesar disso, hoje um movimento técnico conduziu a Bovespa. Segundo Fausto Gouveia, da Legan Asset, esta quinta pode ter sido um dia de ressaca dos vencimentos. "Muitos investidores que não foram exercidos ficaram com o papel e, como avaliam que o momento não é ficar comprado, saem da posição à espera de algum indício sobre a trajetória". Esse movimento, segundo ele, pode ser verificado nas blue chips: Vale e Petrobras caíram, apesar de as commodities metálicas e o petróleo terem fechado em alta no exterior. Estes dois papéis, vale lembrar, são os principais dos vencimentos - e têm grande peso no Índice Bovespa.

 

O movimento técnico na Bovespa, no entanto, encontrou resistência nas bolsas norte-americanas, que trabalharam majoritariamente em alta em reação aos bons indicadores conhecidos hoje.

 

O Dow Jones terminou com elevação de 0,69%, aos 8.555,60 pontos, o S&P avançou 0,84%, aos 918,37 pontos, e o Nasdaq terminou com variação negativa de 0,02%, aos 1.807,72 pontos. O setor financeiro foi destaque de elevação, sobretudo depois das declarações do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, no Congresso dos EUA, onde falou sobre as propostas do governo para modernizar o sistema de regulamentação do setor financeiro. Segundo ele, embora o plano de reforma regulatória financeira do governo Obama não responda a todos os problemas, vai ajudar a evitar crises futuras ao tornar o sistema financeiro menos vulnerável.

 

Estas palavras adoçaram os investidores, que também já se regozijaram dos indicadores, sobretudo os pedidos de auxílio-desemprego. O número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego até veio acima das estimativas dos analistas - subiu 3 mil ante previsão de 2 mil na semana até 13 de junho. Mas, por outro lado, o número total de norte-americanos que recebiam auxílio-desemprego caiu na semana até 6 de junho - 148 mil, maior declínio desde 24 de novembro de 2001 -, após subir por 21 semanas consecutivas.

 

Os outros dados divulgados hoje foram o índice de atividade industrial regional do Federal Reserve da Filadélfia (subiu para -2,2 em junho, de -22,6 em maio, superando as expectativas de economistas de um dado de -18,0) e o índice de indicadores antecedentes do Conference Board (+1,2% em maio, superando as expectativas que previam um aumento de 1%. O dado de abril também foi revisado, para avanço de 1,1%, ante previsão original de alta de 1,0%).

 

No Brasil, Vale ON terminou em baixa de 0,60% e Vale PNA, de 1%. Petrobras ON recuou 0,81% e PN, 0,90%. Hoje, a Moody's Investors Service rebaixou o rating global em moeda local da estatal de A2 para A3. Na Nymex, o contrato do petróleo para julho subiu 0,48%, para US$ 71,37.

Tudo o que sabemos sobre:
Bovespabolsa de valores

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.