Daniel Beltrá/Greepeace
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Metade dos consumidores tem preocupação ecológica na hora da compra, aponta pesquisa

Estudo global da consultoria PwC mostra que o tema ganhou abrangência; no Brasil, 49% dos entrevistados dizem se preocupar com o assunto, mas 67% afirmam ser 'orientados por preço' na hora da compra

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 12h00
Atualizado 28 de julho de 2021 | 13h28

 

RIO - Mesmo diante da crise econômica provocada pela covid-19 e da necessidade de buscar produtos mais baratos que se ajustem ao orçamento doméstico, a ideia da sustentabilidade parece ter entrado de vez nos hábitos de consumo, segundo estudo global do escritório de auditoria e consultoria PwC. Na média global, 50% dos consumidores afirmaram se considerar ecológicos em suas decisões de compra. No Brasil, 49% deram essa resposta. A pesquisa entrevistou 8.681 pessoas em 22 países.

“Essa preocupação ganhou mais abrangência, atingindo um número maior de pessoas. A ideia está difundida entre as classes sociais”, afirmou Carlos Coutinho, sócio da PwC Brasil. 

A pesquisa perguntou sobre o posicionamento do consumidor. Por isso, é possível dizer que a ideia está difundida entre consumidores de diferentes perfis. Só que o estudo não traz elementos que permitam afirmar se as famílias efetivamente mantêm esses hábitos de consumo na prática, ou seja, um consumidor pode ter respondido que tem preocupações ecológicas, mas, por restrições de renda, não coloca isso em prática.

Tanto que 56% dos entrevistados pela PwC afirmaram que se consideram “orientados por preço”, ou seja, procuram pagar menos ao comprar. No Brasil, a proporção dos que se definiram essa forma foi maior, com 67%. Conforme Coutinho, a preocupação com os preços não está associada apenas à dinâmica de renda e à crise econômica.

“O que temos visto é que esse consumidor é diferente. É aquele cara que consegue pegar um smartphone, passear pelas plataformas de consumo, numa prateleira infinita. E ele vai atrás de preço”, afirmou o sócio da PWC.

Mudança de hábito durante a pandemia

Coutinho faz coro com vários especialistas em consumo e varejo que vêm apontando que hábitos cultivados por causa da pandemia, como o uso do comércio eletrônico em meio ao isolamento social, vieram para ficar, acelerando tendências que já estavam em curso. Na pesquisa global da PwC, 51% dos consumidores disseram que “são digitais”. No Brasil, 74% se descreveram assim - embora a participação do comércio eletrônico nas vendas do varejo no País ainda seja pequena, disse Coutinho.

Também veio para ficar o consumo “omnicanal”, em que os consumidores compram por diversos meios, incluindo o comércio eletrônico, afirmou o sócio da PwC. Nesse modelo, as lojas físicas se transformam em centros de distribuição descentralizados ou em espaços de experimentação de produtos.

Mesmo assim, a pesquisa da PwC captou diferenças entre a situação de cada país no enfrentamento da pandemia. O estudo foi a campo em março passado. Naquela ocasião, países desenvolvidos vislumbravam dias melhores, com a aceleração do ritmo de vacinação, enquanto o Brasil vivia o auge de uma nova onda de contágios.

Na média global, 46% dos entrevistados disseram que faziam compras diárias ou semanais em lojas físicas. No Brasil, as lojas físicas foram citadas como canal por apenas 26% dos entrevistados. Para Coutinho, a diferença está claramente relacionada ao endurecimento de medidas de restrição ao contato social verificado em diversas cidades no País no fim de março.

Também está diretamente relacionada com a situação da pandemia em cada país a percepção dos consumidores sobre o turismo. No agregado global, 37% dos consumidores disseram à PwC que, provavelmente, pegariam um voo doméstico nos próximos seis meses, enquanto 30% pegariam um voo internacional e 43% achavam provável se hospedarem em hotéis. 

No Brasil, as três respostas ficaram citadas por proporções menores de entrevistados: 34% no caso dos voos domésticos, 24% nos voos internacionais e 34% na resposta sobre a disposição de se hospedar em hotéis.

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