Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Mesmo com crise, Mantega vê espaço para queda dos juros

"Se a inflação continua estável há espaço para reduzir as taxas", garantiu o ministro da Fazenda

Célia Froufe e Paula Puliti, da Agência Estado,

17 de agosto de 2007 | 13h13

O Banco Central (BC) brasileiro não vai se preocupar com a turbulência internacional e continuará focado na inflação para decidir sobre novos cortes da taxa básica de juros (Selic). "Se a inflação continua estável há espaço para reduzir as taxas", garantiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando questionado por um membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) se o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziria a taxa básica (Selic) de juros na próxima reunião, marcada para os dias 4 e 5 de setembro. Ele disse ainda que, até o momento, não tem informação de que existe pressão inflacionária. Veja também:Bovespa inverte tendência e cai 2,12%, após máxima de 3,28%Em movimento surpresa, Fed reduz taxa de redesconto a 5,75%Crise já respinga na economia realBolsa de Tóquio cai 11% em uma semana'Por enquanto', Brasil está seguro diante da crise, diz LulaBrasil sairá da crise como escolhido para investimentos, diz MantegaFechamento dos mercados nesta quinta-feira Em quase um mês, empresas brasileiras perderam US$ 209,7 biO sobe de desce do dólar Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA     Com a alta do dólar, que em agosto já subiu mais de 7%, há a possibilidade de que a inflação seja pressionada para cima. Isso porque o preço dos produtos importados deve subir. Mas o ministro não vê ainda esta tendência. Segundo ele, os preços administrados vêm apresentando queda e deu como exemplo a tarifa de energia elétrica. O ministro lembrou que mesmo a pressão vinda do setor de alimentos está localizada em produtos como leite e derivados. Mantega lembrou ainda que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação, acumulado em doze meses, está em 3,7% e, portanto, abaixo do centro da meta de inflação, que é 4,5%. Ele acredita que a inflação pode subir, mas isso ocorreria apenas se a alta da moeda norte-americana durasse por um longo período de tempo. Mantega disse ainda que ontem havia muito "exportador feliz" com a elevação da moeda em relação ao real. Mercados já se acalmaram O ministro afirmou que, apesar de o dia nos mercados financeiros de todo o mundo ter sido mais nervoso ontem, os primeiros indicadores da manhã de hoje já mostram que os mercados se acalmaram. Ele voltou a falar que a turbulência externa não deve ser chamada de crise porque, pelo menos por enquanto, ainda não chegou à economia real. "Trata-se de uma forte turbulência financeira, e esses aspectos negativos têm a virtude de pôr à prova os fundamentos do Brasil", disse. Segundo Mantega, é fácil dizer que os fundamentos estão bons em um momento de estabilidade. "Mas agora posso dizer que, apesar dessa fase de emergência, os fundamentos continuam bons", acrescentou. Mantega atribuiu a forte piora dos mercados internacionais ontem à fala de um dos diretores do Fed, William Poole, de que o BC americano não baixaria taxas a menos que houvesse uma catástrofe. "Ele sinalizou, portanto, que seriam duros com os mercados e isso ajudou a formar o stress de ontem", disse. O ministro disse ainda que essa redução da taxa de desconto (decidida nesta quinta pelo banco central dos EUA) mostra mais uma vez que se trata de apenas "uma mera crise de liquidez". "É importante reafirmar que passamos quase incólumes por essa crise e sem que isso afete o crescimento", argumentou, destacando que os fundamentos da economia, entre eles o superávit primário, a redução da dívida pública e as reservas internacionais, fazem o País passar por este momento de uma maneira muito sólida. Ele afirmou que se fosse o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, reduziria a taxa em 0,25 ponto porcentual. O ministro não deixou claro, no entanto, se estava referindo-se à taxa básica de juros da economia americana ou à taxa de desconto reduzida hoje pelo Fed, para 5,75%.Bom sono Mantega avaliou ainda que se essa crise estivesse ocorrendo há alguns anos, o Brasil estaria passando por um momento de fuga de capitais, o Banco Central teria elevado as taxas de juros de forma importante para "segurar a manada" e tornar atrativa a aplicação no País, mas isso de nada adiantaria pois os recursos sairiam da mesma forma. "O ministro da Fazenda ligaria para o FMI (Fundo Monetário Internacional) e diria: "precisamos de sua compreensão e condescendência, vamos fazer lição de casa, mas precisamos de um empréstimo", conjecturou.Ele garantiu que "dormiu bem à noite" e tampouco foi a Washington (Estados Unidos). "Sequer liguei para o FMI. E isso mostra a diferença fundamental em relação a outros momentos de turbulência". O ministro ponderou, no entanto, que, apesar dessa expectativa de maior tranqüilidade, isso não significa que o Brasil não será atingido. "Sabemos disso porque o mercado tem ramificações, e hoje turbulências só estão ocorrendo em circuito do mercado financeiro."FundosO ministro da Fazenda disse ter conhecimento que alguns fundos no Brasil tiveram perdas, mas garantiu que isso não representa o fim do mundo porque o aplicador desse tipo de investimento sabe que se trata de uma operação de risco. "Até vi que eminentes economistas tiveram perdas de fundos, mas estamos passando por um período de oscilação nas bolsas, que é normal", avaliou.   

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.