Mesmo com crise, operações de crédito crescem em setembro

Dados do Banco Central mostram crescimento de 3,5% nos financiamentos registrados no mês passado

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

22 Outubro 2008 | 11h02

O agravamento da crise de crédito global em setembro não surtiu efeitos negativos sobre o mercado brasileiro no mês passado, período em que o saldo das operações de financiamento no País cresceu 3,5%, mostraram dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira, 22. De acordo com o levantamento, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional somaram R$ 1,148 trilhão no mês passado. O saldo corresponde a 39,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Em agosto, o saldo representava 37,9% do PIB.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    "A evolução das operações de crédito... seguiu a tendência de crescimento observada no mês anterior, evidenciando desempenhos favoráveis tanto das carteiras contratadas com recursos livres, influenciadas, principalmente, pelos efeitos da depreciação cambial nas modalidades referenciadas em moeda estrangeira, quanto dos financiamentos com recursos direcionados, que traduziram, sobretudo, a expansão das operações realizadas pelo BNDES", afirmou o BC em nota.   Nos dados preliminares de outubro, porém, já se pode perceber o impacto da crise internacional na oferta de crédito no País, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Uma coleta feita até o dia 10 deste mês pelo BC mostrou que houve crescimento de 3,2% no volume ofertado no período. Mas se for descontada a depreciação cambial verificada nesses dez dias, de 19,5%, "haveria uma estabilidade ou até uma ligeira queda de 0,2%", disse Altamir.   O arrefecimento do mercado de crédito nos últimos dias está sendo gerado, segundo Altamir, por quatro fatores principais. De acordo com ele, dois motivos são gerados pelos próprios bancos. "Do ponto de vista do emprestador, os bancos, o funding está menor e a análise para concessão dos empréstimos está mais rigorosa", disse.   Altamir também citou que os clientes têm adotado comportamento mais cauteloso com a crise e os eventuais efeitos sobre a economia brasileira. "Entre os tomadores, há aumento do conservadorismo", disse. Por fim, Altamir Lopes também citou que a greve dos bancários também tem influenciado na desaceleração do crédito por reduzir o atendimento nas agências.   O chefe do Departamento Econômico disse ainda que, diante das medidas adotadas para dar mais liquidez ao mercado de crédito e os efeitos da crise financeira internacional, o mercado de crédito ainda "deve sofrer mudanças significativas dadas as medidas que já foram tomadas".   Acumulado   Nos últimos 12 meses encerrados em setembro, a taxa de crescimento das operações de crédito no País atingiu 34%, um avanço em relação à taxa acumulada até agosto, de 31,8%. Os empréstimos efetuados com recursos livres, que respondem por 71,9% do total do sistema financeiro, totalizaram R$ 826 bilhões em setembro.   Desde a metade de setembro, os mercados de crédito globais praticamente congelaram, o que forçou governos ao redor do mundo a adotar medidas excepcionais para injetar recursos e garantir o funcionamento das operações de crédito.   No Brasil, o governo adotou uma série de medidas, entre elas leilões de moeda estrangeira voltados especificamente para o financiamento de operações do comércio exterior. O aumento do crédito em setembro foi acompanhado de uma elevação na taxa média de juro praticada pelas instituições no período.   De acordo com os dados apurados pelo BC, a taxa média de juro em setembro ficou em 40,4% ao ano, ante 40,1% em agosto. Para as empresas, os bancos cobraram, em média, um juro de 28,3%, mesmo patamar de agosto. Para as pessoas físicas, a taxa em setembro ficou em 53,1%, ante 52,1% no mês anterior.

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