Mesmo com dados positivos, economia ainda dá sinais de alerta

Após grau de investimento, sinal amarelo acende em alguns setores e mostra que há vulnerabilidade no País

Da Redação,

30 de julho de 2008 | 16h17

O Brasil tem conseguido bons resultados na economia. Entre vários fatores, o País conseguiu reduzir os índices de desemprego, a economia voltou a crescer e o País alcançou o tão esperado grau de investimento. Contudo, há vários sinais amarelos no cenário que não permitem dizer que o Brasil superou totalmente sua vulnerabilidade. Veja abaixo os principais fatores que merecem atenção:  1- Inflação: o Banco Central tem atuado para manter a inflação dentro da meta de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos para baixo ou para cima. Contudo, como a pressão de alta dos preços vem em grande parte do cenário externo - commodities e petróleo -, o esforço do BC para controlar a inflação é limitado. Desde março, a taxa Selic já subiu 1,75 ponto porcentual e a inflação começa a dar sinais de enfraquecimento agora. Mesmo assim, a pressão de alta ainda é forte. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), por exemplo, desacelerou em julho, mas no acumulado de 12 meses chega a 15,12%. Como este é um índice de reajuste de tarifas e aluguéis, o consumidor ainda vai sentir no bolso, por um bom tempo, a pressão de alta da inflação. 2- Juro alto desaquece a economia: para controlar a inflação, o BC tem subido os juros. Controlar a alta de preços é de fato muito importante, pois a inflação corrói a renda dos consumidores. Mas, por outro lado, o juro alto tende a desacelerar a economia, o que tem impacto no mercado de trabalho. Ou seja, mais um sinal amarelo que tem impacto direto sobre a vida dos trabalhadores. 3- Contas públicas: outro impacto do juro alto é o crescimento da dívida do País com o pagamento de juros. No acumulado do ano, até junho, este valor chegou a R$ 88 bilhões. Um volume recorde dentro do histórico do Banco Central. O valor é tão alto que o total economizado pelo governo, o chamado superávit primário, apesar de também ser recorde no período, não foi suficiente para o pagamento da conta. De acordo com os dados do BC, a arrecadação do governo menos os gastos totalizou R$ 86 bilhões no primeiro semestre. 4- Gastos públicos: com este cenário, fica evidente que a única forma de conter a inflação é reduzir os gastos públicos. O fato é que, se o governo gastasse menos, a economia seria puxada muito mais pelo setor privado e o gastos públicos não contribuiriam para pressionar a inflação. Desta forma, o BC não teria que subir mais o juro, a conta para o pagamento de juros ficaria menor e as contas públicas ficariam mais equilibradas. 5- Contas externas: no primeiro semestre, o Brasil teve o pior resultado das contas externas desde o início da série histórica, em 1947. De janeiro a junho, o conjunto das transações de comércio, serviços e rendas com o exterior produziu déficit de US$ 17,4 bilhões. Isso quer dizer que um volume recorde de dólares deixou o Brasil por meio dessa conta. Um dos fatores destacados pelo Banco Central para explicar o forte déficit externo foi o crescimento das remessas de lucros e dividendos das multinacionais a suas sedes. De janeiro a junho, somaram US$ 18,99 bilhões, valor 93,6% maior que em igual período de 2007. Além disso, a contribuição da balança comercial tem diminuído. No semestre, o saldo ficou em US$ 11,34 bilhões, 44,8% inferior ao do mesmo período de 2007. Isso ocorre porque as importações têm crescido com o dólar fraco e a demanda interna aquecida. Para piorar, as viagens internacionais avançam e o déficit do turismo saltou 148,5%, para US$ 2,63 bilhões.

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