Mesmo com fim da greve, Comperj continua parado

Sindicato encerrou a paralisação de 40 dias, mas os funcionários não voltaram ao trabalho e houve confronto na entrada das obras

Sabrina Valle e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2014 | 02h06

RIO - Apesar de o sindicato dos trabalhadores ter decretado o fim da greve de 40 dias no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), os funcionários não voltaram ontem ao trabalho. Houve confronto na entrada do empreendimento. Operários atiraram pedras e policiais militares do Batalhão de Choque revidaram com bombas de efeito moral.

Cerca de 20 mil operários participaram de uma passeata de 10 quilômetros nas imediações do complexo, em Itaboraí, região metropolitana do Rio, segundo o comandante do 35.º Batalhão da Polícia Militar (PM), tenente-coronel Fernando Salema. Eles estão insatisfeitos com a negociação, ainda não concluída, de reajuste salarial conduzida pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e Pesada, Montagem e Manutenção Industrial de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom).

Parte dos trabalhadores também reclama de não se sentir representada pelo sindicato. Consideram que o órgão tem posição patronal. A greve começou no início de fevereiro, inicialmente sem respaldo do sindicato.

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1.ª Região considerou a greve abusiva há duas semanas e determinou a volta ao trabalho. Boa parte dos 29,2 mil operários do Comperj estão parados há cerca de 40 dias. Salema diz que entre 1 mil e 3 mil mantêm o serviço.

O conflito ocorreu por volta das 8h, em frente à entrada do complexo. Segundo o comandante, havia no local cerca de 10 mil manifestantes e 50 homens do 35.º e do 12.º Batalhões e do Choque. Os policiais guardavam a entrada do empreendimento. "Eles estavam muito exaltados e havia risco de depredação. Tivemos de reagir com bombas de efeito moral."

Fogo. Salema disse que, por força contratual, operários não podem entrar a pé, e sim nos ônibus oferecidos pelas construtoras responsáveis pelo empreendimento. O comandante relatou que operários quebraram placas durante a caminhada, atearam fogo em mato, lançaram pedras os policiais e quebraram vidros do carro de som que organizava o movimento.

"O entendimento (para voltar ao trabalho) deixou de ser conosco. Agora, é por parte das empresas e da Petrobrás", afirmou o presidente do Sinticom, Manoel Vaz. O sindicato que representa as empresas, Sindemon, não comentou.

Em nota, a Petrobrás informou que o tumulto foi provocado pela tentativa de funcionários de entrar no complexo sem autorização. A estatal esclareceu ainda que acompanha as negociações entre os representantes dos trabalhadores e das empresas, e "espera um desfecho adequado" para o embate. A empresa, porém, não se informou se haverá atraso de cronograma do Comperj. A primeira unidade de refino está prevista para ser inaugurada em 2015.

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