Mercedes-Benz - 19/8/2019
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Mesmo com instabilidades do País, Mercedes-Benz já pensa em novo programa de investimentos para 2023

Responsável pela área de caminhões da marca na Europa e na América Latina, Karin Radström diz que a filial brasileira tem situação financeira “boa” e que o mercado local é “extremamente importante” para o grupo

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2021 | 14h02

À frente da divisão mundial da Mercedes-Benz Caminhões há quase oito meses, Karin Radström diz que a filial brasileira tem situação financeira “boa” e que o grupo já começou a avaliar um novo programa de investimento para o País a partir de 2023. Ela é responsável pelos negócios do grupo na Europa e na América Latina.

O plano atual de aportes de R$ 2,4 bilhões iniciado em 2018 termina no próximo ano, mas ela afirma que o mercado brasileiro, segundo maior da marca, atrás da Alemanha, segue sendo “extremamente importante” para o grupo, apesar de suas volatilidades.

“O Brasil apresenta mais volatilidade e incertezas que outros mercados, mas isso não é impeditivo para realizarmos investimentos”, afirmou a executiva nesta manhã, 28, em conversa por meio virtual com um grupo de jornalistas brasileiros. A companhia completa hoje 65 anos de atuação no País e promete um novo produto em cerca de um mês.

Em evento comemorativo à data realizado na noite de hoje, a montadora lançou uma série especial do Novo Actros, caminhão top da marca. Batizado de “Coração Estradeiro”, a série é limitada a 65 unidades, em alusão ao marco da empresa, e as vendas serão apenas online.

A sueca Karin, de 42 anos, atuou na área de caminhões da Scania entre 2004 - quando entrou no grupo como estagiária - até o ano passado, quando era diretora de pré-vendas e marketing, para assumir o novo posto na concorrente Mercedes-Benz.

Em vez de olhar para as fragilidades econômicas e políticas do Brasil, a executiva afirma que foca nas oportunidades de um país que tem grande dependência das rodovias para o transporte de cargas, uma frota de caminhões que precisa ser renovada e uma grande demanda de setores como agropecuária e construção civil.

“Seria muito mais fácil se o Brasil fosse mais estruturado econômica e politicamente, mais previsível em relação à questão cambial, mas isso nunca foi e não será um impeditivo para nós”, afirmou. O Brasil representa 25% das vendas globais de caminhões da marca alemã.

Ônibus elétrico a caminho

No Brasil, a Mercedes-Benz está em segundo lugar no ranking de vendas de caminhões, com 22.096 unidades vendidas até agosto. A líder atual é a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), com 23.891. “Estamos no caminho para recuperar participação, mas o importante é que temos resultados financeiros sólidos”, afirma Karin.

Segundo a executiva, a falta de semicondutores atrapalhou o mercado global de veículos e ela acredita que as empresas vão buscar novas formas de produção, com maior previsibilidade e sem muita dependência de poucos fornecedores.

Karl Deppen, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e América Latina, se despede do cargo que ocupou por pouco mais de um ano para assumir como membro do Conselho de Administração responsável por caminhões na China, Japão e Índia. Seu substituto ainda não foi anunciado.

O executivo afirmou que os veículos da marca estarão preparados para atender as normas mais rigorosas de consumo e emissões previstas para entrar em vigor em janeiro de 2023 e ressaltou que a filial brasileira exporta produtos para 50 países, especialmente motores e cabines.

No mês passado, a empresa anunciou a produção local de chassis para ônibus urbano elétrico a partir de 2022. O eO500U foi 100% desenvolvido pela equipe de engenharia brasileira com foco na realidade da mobilidade e do transporte de passageiros do País.

O produto deve atender também demandas de países da América Latina, Europa e Oceania. Já a chegada de caminhões com essa tecnologia vai depender da demanda do mercado, disse Deppen. No segmento de ônibus, a marca é líder em vendas desde sua chegada ao País.

Projetos com automóveis não deram certo

Já no segmento de automóveis de luxo, o grupo alemão fez duas tentativas de produção local, mas não conseguiu levar o projeto adiante em ambas. A primeira foi em 1999, com uma fábrica em Juiz de Fora (MG), que deixou de produzir automóveis em 2010, e passou a fazer caminhões.

A segunda tentativa ocorreu em 2016, com uma fábrica compacta e moderna construída em Iracemápolis (SP), que acabou fechando as portas no final de 2020. Recentemente a instalação foi vendida para a chinesa Great Wall, que iniciará produção local em 2023.

 

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