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Mesmo com intervenção do BC, dólar atinge maior patamar desde 2009

Moeda americana chegou a alcançar R$ 2,16 durante o dia e fechou o pregão a R$ 2,148, em alta de 0,56%

Fabrício de Castro e Luciana Antonello Xavier, de O Estado de S. Paulo,

10 de junho de 2013 | 20h42

SÃO PAULO - Pela primeira vez neste ano, o Banco Central fez duas intervenções no mercado para tentar conter a alta do dólar, que, durante o dia, chegou a atingir R$ 2,16. Mesmo assim, a moeda americana fechou nesta segunda-feira, 10, em seu maior patamar em relação ao real desde 30 de abril de 2009, cotada a R$ 2,1480, com alta de 0,56%.

O real vem tendo uma expressiva desvalorização nas últimas semanas, pressionado tanto por fatores externos, principalmente os sinais de melhora da economia dos EUA, quanto internos, como o rebaixamento da perspectiva de nota de risco do Brasil feito pela Standard & Poor’s (S&P).

Apesar de um lado positivo, como facilitar as exportações brasileiras – os produtos nacionais ficariam mais baratos no mercado internacional –, há uma preocupação sobre os efeitos desse movimento na inflação, já que os produtos importados ficariam mais caros.

"O BC mostrou que não quer um dólar acima de R$ 2,15, porque nós temos um problema sério, que é a inflação", disse João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora. "Mas a desconfiança em relação ao País faz a alta do dólar persistir."

Na semana passada, o governo reduziu de 6% para zero o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) dos investimentos estrangeiros em renda fixa, uma medida que, em teoria, aumentaria o fluxo de dólares para o Brasil, forçando uma queda nas cotações. Mas, até agora, isso ainda não foi visto.

"Potencialmente, a gente esperava que a redução do IOF gerasse um impacto maior (de entrada de dólares), porque você tem, aliado à isenção de imposto, a alta da Selic", disse Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora. "Mas parece que o investidor não está muito confiante, ainda mais que teve a redução da perspectiva de rating do Brasil."

Viés. A mudança da perspectiva da nota brasileira, de estável para negativa, foi justificada pela S&P, entre outras coisas, pelos baixos números de expansão da economia brasileira. Mas, segundo a diretora de ratings soberanos da S&P, Lisa Schineller, mais importante do que saber quanto o Brasil crescerá nos próximos anos será ver como ficará a credibilidade do governo perante o setor privado e como ocorrerá o equilíbrio entre crescimento e situação fiscal.

Segundo Lisa, a credibilidade do Brasil tem sido prejudicada por constantes mudanças de rota do governo. "A sinalização de políticas pelo governo tem ido para frente e para trás em algumas questões. Isso deixa menos espaço para o Brasil fazer manobras, mesmo durante no ciclo eleitoral, e pode minar tanto o crescimento do País como o lado fiscal."

EUA. Nesta segunda-feira, a própria S&P elevou a perspectiva de rating dos Estados Unidos de negativa para estável, colocando mais pressão não apenas sobre o real, mas sobre todas as moedas, principalmente de países emergentes. / FABRÍCIO DE CASTRO E LUCIANA ANTONELLO XAVIER

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