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Mesmo com juro alto, crédito dispara

Operações com recursos livres saltaram 40% desde que BC começou a cortar a Selic; taxas são as maiores do planeta

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

Desde que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou seu prolongado período de cortes da Selic, a taxa básica de juros, em setembro de 2005, o saldo das principais modalidades de crédito no segmento livre (isto é, não direcionado) saltou de R$ 323,3 bilhões para R$ 452,7 bilhões, o saldo de junho. O aumento foi de 40%. Esses números não incluem cooperativas e leasing.O aumento do crédito para empresas e pessoas, que é uma das principais bases do atual sucesso econômico do governo Lula, foi possibilitado pela redução das taxas de juros nas diversas modalidades. Essas quedas, por sua vez, são condicionadas pelo aumento de liquidez proporcionado pela redução da Selic.Apesar desses avanços, porém, as taxas de juros efetivamente pagas por consumidores e empresários no Brasil ainda são gritantemente mais altas do que as de qualquer país desenvolvido ou emergente. Além disso, são muitíssimo maiores do que a própria Selic (que está em 11,5% ao ano), já que são acrescidas do "spread" (o ganho dos bancos), da cunha tributária e de margens para fazer frente à inadimplência.Segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a média das taxas de juros cobradas nas principais modalidades de crédito para pessoas físicas caiu de 141,12% ao ano em agosto de 2005, logo antes do início da queda da Selic, para 132,39% em julho de 2007. Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac, observa que o valor da Selic teve uma queda de 41,77%, ao passar de 19,75%, em setembro de 2005, para o nível atual de 11,5%. A redução das taxas pagas pelas pessoas físicas, em contraste, foi de apenas 8,73% nesse mesmo período.Mesmo com essa queda relativamente pequena nas taxas de juros, no entanto, foi suficiente para fazer com que o volume daquelas operações de crédito, que incluem cheque especial, crédito pessoal, financiamento imobiliário e aquisição de veículos, desse um salto de praticamente 50% naquele período - de R$ 145,2 bilhões para R$ 217,7 bilhões.Ribeiro de Oliveira não acredita que o Copom do Banco Central interrompa a queda da Selic nos próximos meses, a não ser no caso de um grande agravamento da turbulência internacional.

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