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Mesmo com medidas do BC, crédito de veículos cai 0,3% em agosto, a 7ª queda seguida

Segundo dados do Banco Central, o mercado de crédito como um todo cresceu 1%, mas setor de automóveis ainda tem dificuldades

Victor Martins, Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2014 | 10h37

Mesmo com as medidas do Banco Central anunciadas em julho e agosto para fomentar o crédito, em especial, o setor de automóveis, o estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física recuou 0,3% de julho para agosto. Esta é a sétima queda consecutiva na comparação mensal. Ou seja, desde o começo do ano, o volume de crédito para aquisição de automóveis tem sido cada vez menor.

A procura por crédito como um todo, porém, foi maior, segundo dados do Banco Central. Contando o crédito imobiliário, do BNDEs e outros, o saldo total atingiu R$ 2,864 trilhões em agosto ou 56,6% do PIB, um crescimento de 1% no mês e de 11,1% em doze meses. Em julho, o estoque havia subido apenas 0,2%.

Houve aumento de 0,8% para pessoas jurídicas e alta de 1,2% para o consumidor no mês. De acordo com a autoridade monetária, o crédito livre cresceu em 0,5% no mês. Já no caso do direcionado, aumentou 1,5% em agosto ante julho. 

O crédito livre abarca todos os empréstimos e financiamentos que não fazem parte das políticas de direcionamento do governo (como os recursos da poupança, que são direcionados ao crédito imobiliário). No crédito livre estão o cartão de crédito, o cheque especial, o crédito para compra de veículos, os empréstimos pessoais e outros.

A média diária de concessões de crédito livre subiu 7,1% em agosto em relação a julho, para R$ 12,3 bilhões. No crédito direcionado, a média avançou 20,8% na comparação mensal. Esse montante do crédito direcionado somou R$ 2,2 bilhões no mês passado. Quando se junta o crédito livre mais o direcionado, a elevação é de 9% em agosto ante julho. O total das concessões diárias ficou em R$ 14,5 bilhões em agosto.

Veículos. O total de recursos para aquisição de automóveis por esse grupo de clientes ficou em R$ 184,631 bilhões no mês passado. No acumulado de 2014, a queda nesse tipo de crédito é de 4,2% e, em 12 meses, de 4,7%.

As concessões acumuladas em agosto para financiamento de veículos para pessoa física somaram R$ 7,664 bilhões, o que representa uma queda de 2,8% em relação ao mês anterior (R$ 7,887 bilhões). No acumulado de 2014 até agora, porém, ainda há avanço nesse segmento, de 1,6%. Em 12 meses, a alta é de 4,9%. 

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse que o crédito para veículos está segurando a expansão de crédito total para Pessoa Física em 2014. Ele lembrou que a expansão desse segmento em 2009 foi de 14%; em 2010, de 50%; em 2011, de 27%; em 2012, de 9% e no ano passado houve retração de 0,2%. Este ano, em 12 meses, a queda está em 4,7%.

"Acredito que o crédito para veículos, que cresceu de forma expressiva em anos anteriores, está recuando e isso está segurando a expansão de crédito para Pessoa Física", disse, acrescentando que houve uma antecipação de compras em anos anteriores. "A modalidade agora se ressente dessas antecipações." Para ele, o impacto das medidas anunciadas pelo BC em julho e agosto para expandir a oferta de crédito pode ser moderado nesse segmento.

Habitação. As operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceram 2% em agosto ante julho, totalizando R$ 401,034 bilhões, de acordo com o Banco Central. No acumulado de 2014 até o mês passado, a expansão foi de 17,4% e, em 12 meses até agosto, de 27,4%. 

Segundo o BC, R$ 39,683 bilhões se referem a empréstimos a taxas de mercado e R$ 361,351 bilhões a taxas reguladas. O BC deixou de incorporar nestes dados as operações com crédito livre, por serem residuais. 

As operações a taxas de mercado apresentaram crescimento de 1,2% no mês, de 8,9% no ano até o mês passado e de 17,4% em 12 meses até agosto. Já os financiamentos a taxas reguladas avançaram 2,1% ante o mês anterior, 18,5% no acumulado do ano e de 28,5% em 12 meses até agosto. 

BNDES. Os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas cresceram 1,1% de julho para agosto, somando um total de R$ 546,288 bilhões. No ano até agosto, a expansão está em 6,2% e, em 12 meses, em 10,4%.

Em agosto sobre julho, houve avanço de 0,2% nas linhas de capital de giro (R$ 20,392 bilhões), de 1% no financiamento ao investimento (R$ 516,058 bilhões) e alta de 7,6% nas modalidades para o setor rural (R$ 9,838 bilhões) por parte do banco de desenvolvimento.

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