Mesmo com melhora no PIB, analistas projetam recessão em 2015

Expansão da economia em 2011 foi revisada de 2,7% para 3,9%, o que melhora a base de cálculo para anos posteriores; economistas, porém, mantêm expectativa de crescimento zero para 2014 e de contração do PIB para 2015

Daniela Amorim, Idiana Tomazelli e Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 11h30

Após a revisão na metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), economistas evitaram refazer projeções, mas confirmam a probabilidade maior de que a economia tenha ficado estagnada em 2014 e esteja fadada à recessão em 2015.

"Na média, a variação foi bem pequena e ficou concentrada em 2011", disse Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria Integrada. A percepção é de que a mudança no cálculo terá menos impacto em termos de variação do PIB nos anos recentes e mais implicações sobre as contas públicas. O PIB de 2011 em valores correntes foi revisado de R$ 4,143 trilhões para R$ 4,375 trilhões. Já o PIB de 2010 foi revisto de R$ 3,770 trilhões para 3,887 trilhões. Em média, com a revisão, os valores correntes do PIB de 2000 a 2011 ficaram 2,1% acima dos valores da série antiga.

Como o tamanho da economia cresceu em valores absolutos, mudam também indicadores baseados no PIB, como a proporção da dívida pública e o superávit primário das contas do governo.

"Se de um lado (o aumento no PIB em valores correntes) ajuda a percepção sobre a relação entre dívida/PIB, que fica menor, por outro lado torna um desafio maior atingir a meta de superávit primário", disse André Guilherme Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

A LCA Consultores calcula que a meta fiscal estabelecida em 1,2% do PIB para 2015, que hoje corresponde a R$ 66,3 bilhões, deverá passar a pouco mais de R$ 70 bilhões. A consultoria MB Associados também estima que o governo terá que poupar pelo menos R$ 5 bilhões a mais do que o previsto este ano.

"Minha preocupação é com o (ajuste) fiscal maior que o Levy (Joaquim Levy, ministro da Fazenda) vai ter que entregar", lembrou Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Entretanto, o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, ressalta que a meta fiscal não muda para 2015, por já estar prevista em lei. "A meta do superávit primário é um valor. A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) fixa um valor. Essa mudança (no PIB) acaba sendo irrelevante do ponto de vista fiscal. O compromisso dele (Levy) é com os R$ 66 bilhões", afirmou Kawall.

O economista do Banco Safra pondera que, embora as contas públicas não devam apresentar uma preocupação a mais, a revisão do PIB não muda a dinâmica de desaceleração da economia. "A tendência da economia é de desaceleração, não importa a maneira que se meça", afirmou Kawall. "Mostra uma foto um pouco diferente, mas o filme continua ruim."

O analista da Tendências, Rafael Bacciotti, concorda que, independentemente da revisão para cima no crescimento econômico nos últimos anos, a situação atual da economia é "bastante desfavorável". "A confiança e a indústria estão para baixo, a renda e o emprego estão desacelerando", citou Bacciotti.

O IBGE divulgará as Contas Nacionais Trimestrais referentes ao fechamento de 2014 em 27 de março, sob a nova metodologia. As contas anuais definitivas para 2012 e 2013 só serão reveladas em novembro.

A consultoria Rosenberg Associados estima que o PIB de 2014 tenha ficado estagnado (0%), e que 2015 terá retração de 1,5%. A Gradual Investimentos espera também crescimento 0% no ano passado e queda de 1% este ano. A MB Associados estima alta de 0,5% em 2014, seguida de recuo de 1% em 2015.

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