Mesmo com nova regra, juro do rotativo do cartão volta a subir em junho

Taxa subiu para 378,3% ao ano; no caso da modalidade parcelada, taxa caiu para 157,8% ao ano

Fabrício de Castro e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2017 | 12h20

BRASÍLIA - O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 0,4 ponto porcentual de maio para junho, informou o Banco Central. Com isso, a taxa passou de 377,9% em maio (dado revisado ante os 363,3% anteriores) para 378,3% ao ano em junho. O avanço da taxa do rotativo ocorreu a despeito das novas regras de migração da modalidade, que começaram em abril.

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O juro do rotativo é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. Dentro desta rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 258,5% (dado revisado ante os 247,5% anteriores) para 230,4% ao ano de maio para junho. Neste caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura.

Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 453,9% (dado revisado ante os 445,1% anteriores) para 460,7% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro caiu 1,8 ponto porcentual de maio para junho, passando de 159,6% para 157,8% ao ano.

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Em abril, começou a valer a nova regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra é permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recue, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado. 

Reação. O mercado de crédito reage gradualmente e o fenômeno começa a ser visto também nos empréstimos para as empresas. A avaliação foi feita pelo chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha. "Os saldos e as concessões cresceram, os juros e spreads se reduziram e a inadimplência caiu de forma significativa", disse ao apresentar dados do mês de junho.

"O desempenho positivo do crédito em junho foi estimulado especialmente pelas operações livres. Em 12 meses, os números mostram resultados menos negativos", completou o técnico do BC durante a apresentação. Segundo o documento, a concessão de novos empréstimos cresceu 4% no mês passado ante maio, o saldo das operações avançou 0,4%, enquanto houve redução dos juros médios e ligeira diminuição do spread bancário - diferença entre taxa de captação e empréstimo - e diminuição de 4% para 3,7% da inadimplência total no mercado com créditos livres e direcionados.

Rocha destacou ainda que, após vários meses de tendência de recuperação no crédito para as pessoas físicas, o mesmo fenômeno começa a ser visto também nos financiamentos para empresas. "Nós já estávamos tendo tendência de recuperação na pessoa física e não víamos para pessoa jurídica. Agora, em junho, nós temos recuperação nas empresas", disse, ao ressaltar que é preciso aguardar dados dos próximos meses para se falar em uma nova tendência no crédito para empresas.

Em algumas operações como o desconto de duplicatas, o volume de concessões cresceu 40% em junho na comparação com maio, e o capital de giro total teve aumento nas concessões de 25,2% no mês. Rocha destacou o financiamento às exportações, o desconto de duplicatas e o capital de giro como líderes nessa reação da concessão de empréstimos para empresas. Entre os segmentos, o técnico do BC disse que o comércio parece com mais apetite pelo crédito em movimento considerado "consistente". 

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