Mesmo com PAC, Fiesp e Ciesp prevêem PIB abaixo de 3,5%

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) ratificaram nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) para este ano abaixo de 3,5%, mesmo após a divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De acordo com as duas entidades representativas da indústria paulista, o crescimento da economia será amparado pela continuidade da expansão do crédito e da realização de investimentos públicos, sobretudo no setor de infra-estrutura, o que ocasionará expansão de consumo no mercado doméstico. "A expectativa é de que o PAC seja bom, que dê resultado e que os investimentos em infra-estrutura acabem por induzir investimentos em outros setores", disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Feres Abujamra.As entidades projetam que o Indicador do Nível de Atividade (INA) deste ano fique entre 3% e 3,4%. Eles consideraram os porcentuais ainda relativamente baixos para um país que pretende crescer economicamente em patamares superiores a 5% ao ano. Justificam que os juros ainda são muito elevados, especialmente na ponta de consumo, e que a valorização do real ante o dólar tem estimulado importação de bens de consumo em detrimento do produto nacional."O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da indústria paulista, de 77,7% em dezembro, demonstra que é inexplicável a atitude do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir os juros em ritmo menor. O estímulo ao consumo tem espaço significativo para crescer antes de criar um constrangimento produtivo e gerar aumento de preços", argumentou o diretor do Departamento de Economia do Ciesp, Boris Tabacof.Ele ressaltou, entretanto, que os juros cobrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) "estão baratos", em torno de 10% ao ano, considerando a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), e os spreads bancários, o que deveria estimular investimentos dos empreendedores. "Temos meio de financiamento, mas não temos meio de investimento, porque nos falta o consumo", rebateu Abujamra, da Fiesp.

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