Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Mesmo com rebaixamento, Bolsa bate novo recorde e fecha aos 87.293,24 pontos

Com isso, o índice termina a semana com ganhos de 3,28%, levando o resultado anual a 14,26%

Simone Cavalcanti e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2018 | 18h58

Nem mesmo um novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil, agora pela Fitch Ratings, foi capaz de impedir o Ibovespa de marcar uma nova máxima histórica, aos 87 mil pontos. Foi a 8ª sessão seguida de alta na qual o índice à vista encerrou o pregão desta sexta-feira, 23, aos 87.293,24 pontos e valorização de 0,70%. Com isso, o índice termina a semana com ganhos de 3,28%, levando o resultado anual a 14,26%.

"O resultado da inflação, que amplia as possibilidades de uma nova queda da Selic, aliado à queda dos juros futuros pela mudança de regras do governo, pesaram muito mais do que o downgrade", afirmou Thiago Figueiredo, gestor da Horus GGR.

Já o dólar voltou a cair ante o real, seguindo os mesmos fundamentos das últimas sessões. Bolsas em alta, forte valorização dos preços do petróleo e a queda das taxas dos Treasuries voltaram a refletir um ambiente de apetite por risco no mercado internacional. Com isso, a moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 3,2403 no mercado à vista, com baixa de 0,27%. O volume de negócios foi fraco, somando US$ 426,898 milhões. 

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) teve alta de 0,38% em fevereiro, abaixo dos 0,39% de janeiro. Foi a segunda menor variação para este mês desde a implantação do Plano Real. Embora tenha vinho em linha com a mediana das expectativas, reforçou as possibilidades de um novo corte da taxa básica de juros pelo Banco Central na reunião de março. 

"A taxa de juros muito baixa leva os agentes a ter apetite pelo risco", diz Pedro Coelho Afonso, chefe de operações da corretora Gradual, para quem há uma demanda reprimida por ativos de risco. 

Figueiredo complementa dizendo que a busca por maior rentabilidade está sendo incrementada não só por investidores estrangeiros, mas institucionais locais, assim como fundos imobiliários. "Há meta atuarial para entregar e, com a queda de juros na renda fixa, é preciso ir para a renda variável ou operações estruturadas", afirmou. Isso tem contribuído para o volume expressivo da Bolsa nos últimos meses. 

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O Ibovespa iniciou a sessão desta sexta-feira em alta, mas rondou a estabilidade durante toda a manhã. Pouco antes das 13 horas, a agência de classificação de risco Fitch Ratings anunciou que a nota de crédito soberana estava sendo cortada de BB para BB-, com perspectiva estável. A reação na Bolsa foi contida, batendo mínimas até chegar aos 86.137,51 pontos (-0,63%). No entanto, sustentado pelo bom humor externo visto em Wall Street e as empresas ligadas às commodities, reverteu a queda e passou a operar em terreno positivo. 

Os bons ventos externos também pesaram no dia 12 de janeiro, um dia após o rebaixamento da nota do Brasil pela S&P Global, quando o Ibovespa reagiu de maneira contida, fechando em queda de 0,02% e mantendo o suporte dos 79 mil pontos.

Na sessão desta sexta-feira, entre as blue chips, as ações da Petrobrás subiram 2,58% (ON) e 1,83% (PN) embaladas pela alta do petróleo no mercado internacional. Também Vale ON ganhou 0,90%. No fim da sessão de negócios, os papéis de bancos reverteram a queda e também apontaram ganhos, ajudando o Ibovespa a superar os 87 mil pontos. 

Mesmo após os recordes de pontuação do Ibovespa nos últimos dias, o mercado financeiro sustenta, majoritariamente, a percepção de mais uma semana de ganhos para o índice à vista no período de 26 de fevereiro a 2 de março, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. No universo de 30 participantes, 63,33% acreditam em alta para as ações; 20%, em estabilidade; e 16,67%, em baixa.

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Câmbio. A reação ao rebaixamento foi breve, levando o dólar a operar em terreno positivo por apenas alguns segundos. Ao atingir a máxima de R$ 3,2511 (+0,06%), em resposta à notícia, a cotação atraiu fortes ordens de venda. Segundo Jefferson Rugik, diretor da Correparti, essa oferta coincidiu com o período final de formação da Ptax e, além de garantir a queda da taxa do dia (-0,56%), ainda neutralizou aquela que seria a primeira reação do mercado à notícia. 

"De qualquer forma, a reação seria pontual, uma vez que o país está abaixo do grau de investimento. O investidor que está aqui não vai sair só por esse motivo. E aquele que já estava fora vai continuar ausente", disse.

Nas horas que se seguiram ao anúncio, o dólar à vista ainda encontrou espaço para ampliar o ritmo de baixa, chegando à mínima de R$ 3,2327 (-0,50%).

Para José Carlos Amado, operador de câmbio da Spinelli Corretora, o fato de a Fitch ter definido perspectiva estável no rating acabou sendo bem recebido. "O mercado preferiu não mudar de tendência por enquanto. Se alguma mudança for feita, não será assim tão rapidamente, porque há outras questões que amenizam o rebaixamento. Uma delas é a melhora dos números da economia, um fator que vem dando maior tranquilidade, em contraposição a não aprovação da reforma da Previdência", disse Amado.

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"Por enquanto, a forte liquidez internacional fala mais alto, principalmente porque a decisão da Fitch já vinha sendo precificada pouco a pouco. Mas é uma má notícia para o médio e longo prazo, pois aponta para a redução da participação de fundos internacionais no País", disse Bruno Foresti, gerente de câmbio da Ourinvest, citando ainda o momento em que se vê captações e IPOs em curso. 

Sobre a incerteza no campo eleitoral manifestada pela Fitch, Foresti afirma que o mercado já dá sinais de maior otimismo, com o aumento da percepção de que candidatos tidos como populistas perdem terreno na disputa presidencial. "Ainda é cedo, mas o mercado vê que despontam candidatos alinhados à agenda de reformas", disse.

No cenário externo, os preços do petróleo voltaram a subir com força, ainda em repercussão aos dados da véspera divulgados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE), que apontaram queda dos estoques no país. 

No mercado futuro, o dólar para liquidação em março fechou cotado a R$ 3,2410, em baixa de 0,31% e com US$ 14 bilhões em negócios. Mesmo com duas baixas consecutivas, o dólar à vista encerra a semana em alta de 1,54% e o dólar para março, de 1,42%.

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