Mesmo com receita afetada por crise, tivemos primário forte, diz Augustin

No entanto, secretário do Tesouro afirmou esperar resoltados maiores no segundo semestre

Eduardo Cucolo e Anne Warth, da Agência Estado,

27 de junho de 2012 | 16h38

BRASÍLIA - O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que as receitas do governo central não tiveram um crescimento forte no primeiro semestre por conta da crise financeira internacional. Disse esperar, no entanto, resultados maiores no segundo semestre. "Mesmo com a receita sob o efeito da crise que se faz presente, conseguimos um primário bem forte", afirmou.

Sobre dividendo disse que é "uma receita igualzinha a qualquer outra". "Felizmente o Brasil tem. É usual que em meses de menor receita, como maio, se ordene mais. Maio sempre tem dividendo. Está dentro da previsão para o ano", disse.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse há pouco que a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) tem como efeito "um pequeno crescimento" da dívida nominal, pois o País tem mais ativos do que passivos atrelados a esse indexador.

Augustin afirmou que não faria cálculos sobre o impacto da mudança anunciada nesta quarta-feira, 27, e que o dado final da dívida é resultado de muitos outros fatores.

Impacto no crescimento

O secretário afirmou que o pacote de medidas terá impacto no crescimento da economia ainda neste ano. "As medidas são para 2012", afirmou, ao ser questionado se o efeito das medidas não será sentido apenas em 2013 ou 2014. Augustin ressaltou que as compras do governo federal não sofrerão restrições da legislação eleitoral. "Este é o momento em que a economia precisa das medidas", afirmou.

Segundo Augustin, a economia brasileira já começou a reagir, mas o governo discute "permanentemente" novas medidas de estímulo. "Nós achamos que, se houver necessidade de mais medidas de estímulo, há condição de manter o primário", disse. "O governo vai trabalhar duro para que o crescimento econômico seja aquele que o Brasil deseja."

O secretário disse que o governo não vai precisar alterar a meta de superávit primário neste ano. "Não há necessidade de alterar o primário. Dá para fazer isso, pois já cumprimos o primário do quadrimestre", disse.

Augustin disse que, quando o superávit primário é forte e há consolidação fiscal, abre-se espaço para a política monetária. Segundo ele, os países que tiveram resultados fiscais com maior dificuldade são aqueles que geraram a crise financeira.

Na avaliação do secretário, o governo precisa trabalhar duro para evitar que o custeio cresça durante a crise e, ao mesmo tempo, aumentar os investimentos. "Nós achamos que esse mix é o melhor para enfrentar a crise", disse. "O importante é que as ações tenham um multiplicador de investimentos", afirmou.

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