Suamy Beydoun/Agif
Suamy Beydoun/Agif

Mesmo com Selic baixa, Itaú redobra aposta em renda fixa com dois novos lançamentos

Banco lança dois novos ETFs de títulos de tesouro direto; mercado de fundo de índices é pouco conhecido, mas é aposta do setor para os próximos anos

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 03h00
Atualizado 26 de setembro de 2019 | 13h34

Em tempos de queda da Selic e recomendações de investimento na Bolsa de Valores, o Itaú Unibanco está redobrando a sua aposta no mercado de renda fixa. Nesta semana, o banco lançou dois novos ETFs para o público conservador. São produtos atrelados a títulos do Tesouro Direto, o segundo lançamento do tipo em cinco meses. O plano do banco é abastecer o mercado com uma oferta que, apesar de ainda pouco conhecida pelo consumidor médio, mais que dobrou no último ano.

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O ETF é um fundo que espelha um determinado índice do mercado financeiro e tem cotas negociadas em Bolsa, como se fosse uma ação. O ETF mais famoso do mercado é de renda variável, o Bova11, que replica o Índice Bovespa, ou seja, é composto pelas mesmas ações que formam o Ibovespa. Por isso, sua meta é trazer ao investidor a mesma rentabilidade (ou o prejuízo) acumulado pelo Ibovespa no período.

Os novos ETFs do Itaú acompanham os índices publicados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O primeiro deles, chamado de IB5M11, segue os títulos públicos atrelados à inflação, as NTN-Bs, e com prazo igual ou superior a 5 anos. A duração do produto é de 13 anos e meio. O segundo, o IRFM11, é considerado o mais conservador. Replica títulos prefixados, LTNs, com duração de dois anos e dez meses. 

O investimento mínimo é de R$ 100 e a liquidez é de um dia a partir do pedido de resgate. A taxa de administração é de 0,25% ao ano para o ETF de NTN-B e de 0,20% ao ano para o de LTN. Como comparação, é 0,10% mais barato que os dois principais fundos que replicam o Ibovespa, o Bova11, da americana Blackrock, com patrimônio líquido de R$ 9,4 bilhões, e o Bovv11, do Itaú, com patrimônio de R$ 7,2 bilhões.

Para o professor de finanças do Ibmec George Sales, uma das vantagens dos ETFs de renda fixa na comparação com um fundo clássico de renda fixa está na tributação. Os produtos tem alíquota fixa de 15% de Imposto de Renda (IR) sobre o ganho de capital, sem importar a data de entrada e saída. "Os ETFs também não contam com o 'come cotas'", afirma. Come contas é como é a chamado a antecipação no recolhimento do IR em fundos de investimento de diversos tipos, como multimercados e renda fixa. 

Juros

Segundo Renato Eid e Stefano Dorlhac Catinella, do Itaú Asset Management, o lançamento dos produtos não tem relação com o desempenho da taxa de juros básica da economia, a Selic, que na semana passada perdeu mais 50 pontos e, agora, está em 5,50% ao ano. 

"Esse é um produto para diversificar a carteira do investidor", diz  Eid. "O lançamento aconteceu por um acaso depois da Selic. A gente queria e quer colocar um portfólio de produtos bem diversificado par o investidor", afirma Catinella.

Concorrência

Atualmente existem no País 18 ETFs - 14 de renda variável e, agora, quatro de renda fixa - desses, três são do Itaú. Desde que venceu no ano passado a concorrência do Tesouro Nacional para estruturar fundos de títulos públicos, o banco corre para ampliar a oferta nesse mercado. O plano do banco é levantar R$ 20 bilhões com ETFs de renda fixa em cinco anos.  

Esse é um mercado de R$ 24,8 bilhões alocados. O Itaú lidera com R$ 13 bilhões, contra R$ 11 bilhões da americana Blackrock. Recentemente, Bradesco entrou na concorreência com um lançamento, em julho, de um ETF de renda variável atrelado ao Ibovespa. Segundo dados da Anbima. a indústria de ETFs no Brasil cresceu 1,5 vez o que avançou sobre o mercado de fundos desde 2010. O crescimento dos ETFs foi de 27,2% enquanto a indústria total cresceu 12%. Esse patrimônio, porém, é uma pequena fração dos R$ 5,17 trilhões movimentados pelos fundos atualmente.

"O mercado de ETFs no Brasil tem grande potencial. No mundo, são US$ 5,7 trilhões apenas em ETFs. Esperamos uma expansão importante no Brasil", afirma Catinella.

Pontos de atenção

Para o professor de finanças da FGV e colunista do Estado, Fábio Gallo, o mercado de ETFs deve crescer daqui para a frente, em um cenário onde os juros baixos levam a disputa entre os produto para os detalhes. "Para o pequeno investidor pode valer a pena já que, para comprar um ETF, basta ter conta em uma corretora, são produtos com boa liquidez e o investidor está naturalmente diversificando em vários títulos", destaca. 

O ponto de atenção é que são produtos comercializados na Bolsa, o que confere oscilações nos preços, mesmo na renda fixa. "A curva desses produtos parece um eletrocardiograma, cheia de alto e baixo. Se a pessoa não vai ficar com o produto até o fim do prazo, precisa se acostumar com esse sobe e desce", diz.

 

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