Mesmo com sensação de acomodação, PIB do 2.º tri crescerá na margem, dizem analistas

Analistas lembram que fatores pontuais contribuíram para a desaceleração do crescimento econômico do primeiro para o segundo trimestre

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

17 de agosto de 2010 | 15h28

A sensação de acomodação que o segundo trimestre trouxe deverá ser confirmada na divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do período, avalia em seu "Comentário Quinzenal de Conjuntura" o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Mas, em linha com as previsões de outras casas, ele ainda vê chances de a economia brasileira crescer na margem no segundo trimestre. "Nossa estimativa é de um crescimento de 7,3% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e 0,6% na margem. Ou seja, mesmo com sensação de acomodação, ainda teremos algum crescimento na margem", reitera o chefe do Departamento Econômico da MB Associados.

A expansão de 0,6% no segundo trimestre esperada pela consultoria é a mesma que os economistas do Itaú Unibanco Ilan Goldfajn e Aurélio Bicalho têm para o período. Para os dois, fatores pontuais contribuíram para a desaceleração do crescimento econômico do primeiro para o segundo trimestre. O efeito da Copa do Mundo sobre as horas trabalhadas, de acordo com Bicalho, foi significativo. Ele fez um levantamento do impacto das Copas do Mundo sobre a economia brasileira desde 1974. A conclusão é de que a competição exerce um impacto negativo de 0,8 ponto porcentual sobre a taxa de expansão do PIB.

Para Vale, da MB Associados, apesar das sinalizações ruins vindas da indústria de transformação, as indústrias de construção e de utilidades públicas podem compensar a queda na transformação. "Tanto que esperamos um crescimento na margem da indústria total no PIB. O interessante é que essa desaceleração parece indicar uma estabilização de ritmo de expansão, que volta aos padrões pré-crise. Padrão esse que praticamente se manteve nos serviços em todo o período recente, com apenas um trimestre de queda durante toda a crise."

Isso, de acordo com Vale, reforça a expectativa de que a desaceleração da indústria no segundo trimestre não passou de um ajuste após um ano de intensos altos e baixos. "E essa normalidade indica que o segundo semestre deverá conservar o ritmo de expansão nos padrões pré-crise, o que mantém o risco do ritmo de crescimento continuar pressionando a inflação. A projeção inicial para o terceiro trimestre é de expansão de 1,1% na comparação com o segundo trimestre, pelos dados dessazonalizados", diz Vale.

Os economistas do Itaú Unibanco, que também preveem crescimento de 0,6% do PIB na margem no segundo trimestre, atribuem a desaceleração do ritmo de crescimento da atividade no segundo trimestre, comparativamente ao primeiro (2,7% na margem), aos estímulos fiscais e à antecipação de produção e consumo no final do primeiro trimestre, especialmente em março, quando tanto indústria como consumidor correram para produzir e comprar para não perderem a vantagem do IPI reduzido.

A previsão de que a atividade seria retomada a partir do segundo semestre também foi adiantada há quase um mês pelo coordenador da Sondagem da Indústria da Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloísio Campelo. Para ele, entre as razões para a desaceleração, já defendidas por seus colegas do Itaú Unibanco e MB Associados, ele inclui também o comprometimento de parte do orçamento das famílias com as compras antecipadas de março. A partir de agora, de acordo com ele, muitas das famílias começarão a se ver livre de dívidas e voltarão a se habilitar a novas compras.

 

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