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Mesmo com taxação de IOF, dólar sobe só 0,17% na semana

Nesta sexta, moeda americana fechou em R$ 1,7127 (-0,71%) na BM&F , uma queda de 0,71% em relação a quinta

Silvana Rocha, da Agência Estado,

23 de outubro de 2009 | 18h07

O dólar no mercado doméstico oscilou em terreno negativo nesta sexta-feira, 23, e fechou a R$ 1,7127 (-0,71%) na BM&F e a R$ 1,713 (-0,70%) no balcão. O fluxo comercial positivo na sessão e as apostas no recuo da moeda norte-americana no mercado futuro influenciaram esse comportamento de baixa, apesar da alta do dólar no exterior e das perdas do petróleo e das Bolsas norte-americanas. Com o resultado desta sexta, a divisa devolveu desde quarta-feira, 21, quase toda a pressão decorrente do início da taxação de IOF de 2% sobre o capital estrangeiro na terça-feira, que levou o pronto nesse dia a fechar a R$ 1,7440, com alta de 1,93%. Na semana, o pronto acumulou ganho de apenas 0,36% na BM&F e de 0,17% no balcão. No mês, o pronto no balcão apura desvalorização ante o real de 3,33% e, no ano, de 26,64%.

 

Às 16h38, o giro financeiro total registrado na Clearing de Câmbio da BM&F somava cerca de US$ 1,863 bilhão, dos quais US$ 1,757 bilhão em D+2.

 

Tendo em vista o efeito passageiro da taxação do capital estrangeiro com IOF, o sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, disse que o próximo passo do governo para tentar conter a apreciação do real ante o dólar poderá ser taxar as operações com derivativos de câmbio de modo a anular, pelo menos em parte, as arbitragens cambiais. "A decisão do governo de taxar o capital externo é política com foco nas eleições de 2010, a fim de conter a apreciação do real e para não permitir a transferência de empregos para outros países através do aumento das importações brasileiras", avaliou.

 

Na noite de quinta-feira, 22, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas não conseguiu reverter a decisão do governo de taxar com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) as aplicações de estrangeiros em renda fixa e variável. Segundo Edemir, a conversa foi "muito boa", o ministro "foi sensível" aos problemas apresentados, mas não se comprometeu com prazos para tomar alguma decisão. Ele disse que vai estudar todas as medidas.

 

O subgerente da mesa de derivativos da CM Capital Markets, Eduardo Barros, disse que, por causa do efeito passageiro do IOF sobre o câmbio esta semana e da persistente preocupação do governo com a apreciação cambial, o mercado tende a segurar no curto prazo suas posições compradas em câmbio à vista. "O mercado não vai vender moeda a descoberto enquanto houver dúvidas sobre eventual nova medida", comentou.

 

De acordo com o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora, as instituições financeiras amanheceram nesta sexta-feira, 23, vendidas em dólar futuro em cerca de US$ 3,125 bilhões, enquanto mantêm posições compradas no mercado à vista de cerca de US$ 3,5 bilhões.

 

Barros disse que houve poucos negócios nas mesas de operação de câmbio à tarde, uma vez que o grosso das operações foi fechada pela manhã. Ele observou que após o leilão de compra realizado pelo Banco Central na sessão vespertina, o dólar novembro/09 na BM&F ganhou sustentação. A taxa de corte no leilão foi de R$ 1,712.

 

Na hora do leilão, o contrato de novembro/09 era cotado a R$ 1,711 e, depois, subiu para R$ 1,714. Às 17h13, no mercado futuro, esse vencimento de dólar caía 0,17%, a R$ 1,7180, sendo que até as 16h18 havia movimentado cerca de US$ 9,807 bilhões, de um total transacionado com cinco vencimentos, todos em baixa, de US$ 9,918 bilhões, segundo a BM&F.

 

Pela manhã, o Banco Central informou que a conta corrente do balanço de pagamentos registrou em setembro um déficit de US$ 2,311 bilhões. O número ficou dentro das previsões coletadas pelo AE projeções, que variavam entre um resultado negativo de US$ 3 bilhões a US$ 1,7 bilhão, com mediana de US$ 2,04 bilhões. O resultado deficitário do mês passado foi liderado pela conta de serviços e rendas, que acumulou saldo negativo de US$ 3,969 bilhões. No mesmo período, a balança comercial acumulou superávit de US$ 1,329 bilhão e foram recebidas transferências unilaterais com saldo positivo de US$ 328 milhões. No acumulado de janeiro a setembro de 2009, a conta corrente brasileira registra déficit US$ 11,876 bilhões. No acumulado de 12 meses até setembro deste ano, a conta corrente tem saldo negativo de US$ 17,185 bilhões, o equivalente a 1,23% do PIB.

 

Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil somaram, em setembro, US$ 1,816 bilhão, segundo o BC. O valor foi menor do que o previsto pelos analistas pelo AE Projeções, que esperavam ingressos entre US$ 2,5 bilhões e US$ 2,9 bilhões. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o IED soma US$ 17,691 bilhões e nos 12 meses encerrados em setembro, o valor é de US$ 31,894 bilhões, o que corresponde a 2,28% do PIB.

 

Já o investimento estrangeiro em ações brasileiras somou US$ 3,987 bilhões em setembro. Desse valor, as ações negociados no País atraíram quase a integralidade dos recursos, sendo responsáveis por US$ 3,981 bilhões. No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, o ingresso de dólares para a compra desses ativos soma US$ 17,267 bilhões, sendo US$ 17,064 bilhões em ações negociados no Brasil. O Banco Central também informou que os estrangeiros alocaram US$ 2,848 bilhões para a compra de títulos de renda fixa emitidos no Brasil no mês passado, sendo que US$ 2,872 bilhões em bônus negociados no Brasil. Isso indica que houve saída de capital estrangeiro de títulos brasileiros negociados no exterior. O mesmo aconteceu no acumulado de janeiro a setembro deste ano. No período, esses papéis atraíram US$ 5,426 bilhões, dos quais US$ 6,314 bilhões foram direcionados aos bônus negociados no País.

 

No mercado internacional, o dólar subiu com força ante a libra esterlina e oscilou em leve alta em relação ao euro durante à tarde. A moeda do Reino Unido recuou após o Escritório Nacional de Estatísticas informar que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico caiu 0,4% no terceiro trimestre ante o segundo. Foi o sexto trimestre consecutivo de contração de julho a setembro, contrariando as expectativas de economistas de que a recessão estaria perto do fim. O PIB no terceiro trimestre também encolheu 5,2% frente a igual período do ano passado. Economistas esperavam que o PIB crescesse 0,1% em comparação trimestral, o que representaria o primeiro trimestre de expansão desde o início de 2008.

 

A moeda norte-americana sustentou-se com ligeiro ganho ante o euro, amparada pelo aumento acima do esperado na venda de imóveis usados no mês passado nos EUA. As vendas de imóveis usados cresceram 9,4%, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês), enquanto os analistas previam aumento de 5,5%. Balanços da Microsoft e Amazon.com acima das expectativas de Wall Street também animaram os investidores.

 

O petróleo para dezembro em Nova York recuou 0,85% e fechou a US$ 80,50 o barril.

 

No mercado de moedas às 17h30, o euro caía 0,21%, a US$ 1,4999; a libra esterlina perdia 2,04%, a US$ 1,6305; e o dólar subia 0,56%, a 92,09 ienes.

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