Mesmo contrária à Angra 3, Marina diz que avaliará licença

Ministra reitera posição de que País não precisa investir em energia nuclear

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 14h20

Um dia após a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovar a retomada da construção da usina nuclear Angra 3, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta terça-feira, 26, que a obra deverá passar pelo mesmo processo de exigência de concessão de licença ambiental de outros empreendimentos, como o projeto de construção de duas usinas hidrelétricas no Rio Madeira, em Rondônia. "Estão sendo avaliados com a mesma isenção", disse, referindo-se aos dois projetos.Em conversa com jornalistas, no Palácio do Planalto, a ministra, que não compareceu à reunião do CNPE, na última segunda-feira, reafirmou sua posição contrária à produção de energia nuclear no País. "O nosso entendimento é o de que não há necessidade de energia nuclear no Brasil. Temos alternativas de fontes renováveis de energia, e no resto do mundo não tem sido feito investimento em energia nuclear, pelo menos nos últimos 15 anos", afirmou.Questionada sobre a razão ter faltado à reunião do CNPE - onde o único voto contrário à construção da usina nuclear foi o de um representante do Ministério do Meio Ambiente -, Marina Silva disse que não compareceu ao encontro, porque o vôo em que viria do Rio de Janeiro atrasou por causa do fechamento momentâneo do Aeroporto Internacional Tom Jobim.A uma pergunta sobre o risco resultante da construção de uma usina nuclear, ela respondeu que um dos graves problemas é a destinação dos resíduos (lixo nuclear). "Não existem formas e meios seguros para os resíduos oriundos do procedimento de energia nuclear", declarou a ministra. "Se não existe solução nos países mais desenvolvidos, o que haveria, na realidade específica do Brasil?", questionou, referindo-se ao fato de não haver uma solução científica para o risco que representa para a saúde humana o efeito da radioatividade do lixo nuclear.A ministra disse que ainda não há prazo para uma decisão sobre o licenciamento ambiental para a construção das duas usinas hidrelétricas projetadas para serem construídas no Rio Madeira.

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