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Mesmo grandes especuladores perdem dinheiro

Corrupção exposta tem minado a economia e levado a muita especulação, fazendo com que certos agentes realizem altos ganhos enquanto outros percam muito

Fábio Gallo, Impresso

05 Junho 2017 | 05h00

Acredita-se que as empresas vão continuar sofrendo com efeitos da Lava Jato e da crise política. Devo vender minhas ações?

Não posso recomendar comprar ou vender ações com base nesse tipo de informação. Está surgindo no mercado um novo tipo de analista: o especializado em acompanhar as delações premiadas e, assim, agir no mercado, comprando ou vendendo ações conforme o que é delatado a respeito das empresas. A corrupção exposta tem minado a economia e levado a muita especulação, fazendo com que certos agentes realizem altos ganhos enquanto outros percam muito. Isso ganhou maiores dimensões quando descobrimos sobre os ganhos da JBS no mercado cambial e de ações justamente no momento das delações dos próprios donos da companhia. Tanto que a CVM abriu diversos processos por uso de informação privilegiada.

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Consultando as carteiras recomendadas pelas corretoras, encontramos ao menos um banco em todas elas, logicamente com a intenção de diversificação do gestor. Interessante notar que ações de empresas como Petrobrás, Tupy e Taesa também ganharam destaque. De qualquer forma, a recomendação que pode ser dada em momentos de muita volatilidade é para o investidor com menor grau de conhecimento de mercado ficar fora da renda variável. O momento é para profissionais que sabem especular, mesmo porque têm tempo disponível e conhecimento para isso. Mesmo eles ganham muito, mas também perdem muito.

Minha cunhada mora no exterior e planeja voltar ao Brasil para se aposentar com um salário mínimo. Lá fora, ela recebe pensão do marido falecido. Ela terá de abrir mão do benefício?

Não vejo porque haveria a necessidade de optar entre uma ou outra, porque os sistemas previdenciários citados são em países distintos. A Reforma da Previdência, que ainda tramita no Congresso, não trata desse tipo de questão. Nem poderia, pois se tratam de benefícios recebidos em países distintos. Além disso, a pessoa já conquistou o direito à pensão e não vejo como isso poderia ser tirado dela. O que está sendo discutido pelo Congresso são as condições atuais de nosso sistema previdenciário, que proporciona benefícios que o tornam insustentável e levam o País a uma situação econômica complicada.

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Devemos nos perguntar se faz sentido alguém de ter mais de um benefício previdenciário dentro do próprio sistema brasileiro. Isso porque as regras atuais permitem, por exemplo, que uma pessoa já aposentada, em caso de falecimento do cônjuge, passe também a receber pensão referente à aposentadoria do falecido, assim passando a receber dois ou mais benefícios de mesma natureza. Esse tipo de acumulação, entre outros tantos problemas, leva o nosso sistema previdenciário a se tornar praticamente inviável.

O fato é que ele tem um enorme déficit, hoje acima de R$150 bilhões. No próximo ano, o rombo deve ficar acima de R$ 200 bilhões. Sem entrar em discussões apaixonadas sobre que categorias de trabalhadores provocam os maiores déficits, podemos dizer que o INSS em 2016 arrecadou R$ 358 bilhões e teve que pagar em benefícios um total de R$ 508 bilhões. Logo, a conta ficou negativa em quase R$150 bilhões. Por outro lado, o sistema especifico do funcionalismo, que é o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e congrega funcionários dos municípios, Estados e União, ficou negativo em mais R$ 156 bilhões. Portanto, buscar soluções para essa questão é essencial para o nosso País.

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