Mesmo menos confiantes no País, fundos pretendem ir às compras

Brasil cai duas posições no ranking de confiança de fundos de investimento em meio à crise política e econômica, diz pesquisa

Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2015 | 02h01

A confiança dos investidores em relação ao Brasil caiu, mas a percepção dos fundos de private equity, que são aqueles que compram participações em companhias, é de que o momento apresenta oportunidades para boas aquisições, conforme pesquisa realizada pela Deloitte em parceria com a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP).

O ambiente de crise política e econômica fez a nota de confiança da indústria no País passar de 3,13, em 2014, para 2,70 neste ano, o que levou o Brasil a perder duas posições no ranking global, caindo para a sétima colocação. Apesar de menos otimistas, a expectativa dos gestores nos próximos doze meses é de que o cenário irá favorecer o investimento de private equity no Brasil.

"Os fundos estão capitalizados e dispostos a irem às compras", afirma o sócio que lidera a estrutura de Corporate Finance Advisory (CFA) da Deloitte, Reinaldo Grasson. Segundo ele, na outra ponta, o crédito escasso no mercado e a janela fechada para a abertura de capital no Brasil também estão fazendo com que as empresas encontrem nos fundos de private equity uma fonte de recursos.

"Com um olhar de médio a longo prazo, o momento é oportuno para esse investimento. Temos um câmbio favorável para quem tem moeda forte. Os ativos brasileiros estão mais baratos em dólar", diz Grasson.

Outra ponto que deve motivar o fechamento de negócios é que muitos setores ainda são pulverizados, o que pode gerar interesse de um fundo com estratégia de consolidação. Segundo ele, setores como o de saúde, educação e de tecnologia da informação são os destaques. Um dos exemplos desse movimento foi a compra na semana passada de uma participação de 13% do laboratório Fleury pelo fundo Advent, que já afirmou que deve fechar novas aquisições.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP), Clovis Meurer, aponta que a despeito do ambiente de dificuldade macroeconômica no Brasil, a leitura dos fundos é de que os fundamentos de longo prazo do País ainda existem e que, com o dólar valorizado ante o real, surge uma janela de oportunidade para aquisições. "Os gestores estão buscando bons negócios, sempre na perspectiva de médio e longo prazo."

Mesmo considerando que o momento de instabilidade é de grande desafio para encontrar um bom ponto de entrada, o fundo Advent olha para alguns setores que considera investimentos seguros. Além de saúde, o fundo norte-americano prospecta negócios nos segmentos de portos e aeroportos e não descarta participar de novos leilões. "Em infraestrutura, gostamos de atuar onde podemos agregar valor e normalmente não entramos em projetos que já estejam totalmente concluídos", disse Mario Malta Neto, diretor do Advent no Brasil.

A participação no Fleury é o segundo investimento feito pelo fundo de US$ 2,1 bilhões para negócios na América Latina, captado em novembro passado. A desvalorização do real frente ao dólar potencializou a capacidade do fundo. "Em novembro do ano passado, o fundo valia cerca de R$ 5 bilhões e agora está em torno de R$ 8 bilhões", destacou. Malta diz que possivelmente outras aquisições aconteçam até o final do ano. Segundo ele, os segmentos de tecnologia e telecomunicações, consumo, varejo e serviços estão no foco do Advent.

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