Mesmo sem adesão, elétricas serão afetadas

Secretário afirma que empresas terão de fazer ajustes em seus balanços, independentemente de aceitarem proposta de renovação das concessões

ANNE WARTH, EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h09

Apesar da repulsa do mercado em relação à proposta do governo para a renovação das concessões do setor elétrico, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que o balanço de todas as companhias será afetado, independentemente da escolha das empresas pela prorrogação ou não dos contratos. Ele defendeu a opção feita pela Eletrobrás em orientar acionistas a aceitar a renovação e criticou analistas que criaram "expectativas equivocadas".

Para Zimmermann, todas as empresas com concessões a vencerem entre 2015 e 2017 terão de fazer ajustes nos balanços, independente de aderir à proposta do governo, para dar baixa na diferença entre o valor contábil e o valor novo de reposição dos ativos. "Se não concordarem com a proposta e esperarem vencer a concessão, terão de provisionar esse valor e o efeito será igual."

Segundo ele, que ontem participou de audiência pública conjunta das Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Serviços de Infraestrutura do Senado, "mesmo não aderindo, as empresas vão ter de considerar isso em seus balanços".

A explicação foi dada após questionamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) sobre a queda, anteontem, de mais de 15% das ações da Eletrobrás, a maior do Ibovespa. Nos últimos três pregões, as ações perderam 28,96% de seu valor.

Zimmermann, que preside o Conselho de Administração da Eletrobrás, defendeu que a renovação dos contratos da companhia é a melhor alternativa. Para ele, a decisão se baseou em nota técnica enviada ao conselho de administração e aos acionistas e levou em conta todos os artigos da Medida Provisória 579.

"Quando se faz esse raciocínio, de que vamos viver a realidade de um País que não remunera mais ativo amortizado, é muito claro que as empresas têm de se preparar para essa nova realidade, e é isso que a Eletrobrás está fazendo", disse. "Muitos analistas não consideraram isso em suas análises, mas agora estão reconhecendo que houve erro".

Bate-boca. Ex-governador de Minas, Estado que controla a Cemig, Aécio monopolizou o debate e quase bateu boca com o secretário. Ele defendeu a Cemig, que não pediu renovação das concessões das usinas de Jaguara, São Simão e Miranda por acreditar que têm direito a mais 20 anos de contrato sem redução de tarifas.Sugeriu que Aécio estava em defesa dos interesses da empresa e contrário à redução das tarifas. "Esses valores podem ser revertidos para a sociedade e o senhor está defendendo que vão para o acionista da Cemig", disse. Aécio respondeu que "o principal acionista da Cemig são os cidadãos mineiros, já que parte dos dividendos da empresa é revertida em obras."

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