Mesmo sem alta da gasolina, IGP-M está acima das previsões

Mesmo sem reajuste dos preços dos combustíveis, inflação já sobe acima do centro da meta

Agência Estado e Reuters,

29 de abril de 2008 | 08h12

A inflação pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) desacelerou em abril, mas superou a previsão do mercado, em razão principalmente de aumentos de custos no varejo. A taxa foi de 0,69%, ante 0,74% em março, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira. Analistas consultados pela Reuters projetavam uma alta de 0,48%, de acordo com a mediana de 14 estimativas, que variaram de 0,46% a 0,50%.   Veja também: BC destaca risco de inflação e pode continuar a subir juros Alimentos triplicam alta e IPCA-15 mais que dobra em abril Especialista da Fipe comenta aceleração da inflação  Entenda a crise dos alimentos no mundo  Entenda os principais índices de inflação     Analistas já falam em disparada da inflação. Para se ter uma idéia, em abril de 2007, a alta do IGP-M foi de 0,04%. Tomando por base o quadrimestre, em 2007, de janeiro a abril o IGP-M ficou, mês a mês, em 0,50%, 0,27%, 0,34% e 0,04%. Este ano, a seqüência é bem mais alta: 1,09%, 0,53%, 0,74% e 0,69%. Ou seja, a inflação está girando em cerca do dobro da variação do mesmo período do ano passado.   O IGP-M é composto pelo Índice de Preços por Atacado (IPA), que subiu 0,65% neste mês, abaixo da variação positiva de 0,96% em março; e pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que avançou 0,76%, ante taxa de 0,19% no mês anterior. A principal pressão no varejo veio dos custos de alimentos, com destaque para tomate, mamão papaia, pão francês, leite longa vida e cebola.   Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que também faz parte da composição do IGP-M, registrou alta de 0,82%, depois do aumento de 0,59% em março. No ano, o IGP-M acumula alta de 3,09% e nos últimos 12 meses, de 9,81%.   O fato de o IGP-M ter se desacelerado nos preços ao atacado poderia, em tese, servir de alento, dado que, no médio e longo prazo, os preços no atacado tendem a influenciar os índices de preços ao consumidor. No entanto, as commodities continuam em nível alto no exterior, o que não sinaliza para alívio relevante dos preços no atacado ao longo do tempo.   Pressões de alta   Pelo contrário, uma das commodities mais importantes, o petróleo, não tem repasse para os preços domésticos desde 2005. O governo agora fala em fazer um repasse parcial da alta do petróleo, que apanhará a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado como referência para a meta de inflação - já acima da meta de 4,5%, tanto em termos de índice acumulado em 12 meses quanto em relação às projeções do mercado.   Além da ajuda do preço do combustível "engessado" desde 2005, a inflação também teve ajuda do câmbio nos últimos anos. Este também é um ponto de dúvida. O elevado déficit em transações correntes divulgado na segunda-feira para o primeiro trimestre ainda não mostra uma situação grave do ponto de vista do financiamento das contas externas. Sugere, porém, que no médio prazo o dólar pode subir, transformando o câmbio de aliado em complicador na luta do BC contra a inflação.   Além de uma reversão das commodities, que não depende do Brasil e sim do mercado externo, uma alternativa mais doméstica para conter as pressões inflacionárias seria conter o consumo. Uma parte deste trabalho já começou a ser feita pelo BC. Outra parte poderia ser liderada pelo governo, reduzindo seus gastos correntes e restringindo os estímulos ao consumo na economia em geral.   Isto, porém, não está ocorrendo. Na verdade, o governo está estourando as metas de gastos com reajustes de salários no funcionalismo este ano. Sem pausa no consumo governamental, resta ao BC conter o consumo privado, de empresas e trabalhadores, via juros. Assim, o cumprimento do centro da meta neste ano vai se tornando uma hipótese cada vez mais remota, sinalizando a necessidade de o BC subir mais a Selic, a taxa básica de juros, e mantê-la em nível elevado por mais tempo.

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