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‘Mesmo sem dinheiro, o marketing corria nas nossas veias’

Escolha do nome Magazine Luiza foi definida em concurso feito em rádio de Franca, nos anos 1950

Entrevista com

Luiza Helena Trajano, empresária

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2020 | 05h00

À frente desde os anos 1970 da empresa fundada por sua tia, a empresária Luiza Helena Trajano, de 69 anos, relembra nesta entrevista o processo gradual de expansão do Magazine Luiza e também fala sobre ser uma das ainda raras lideranças femininas no Brasil. “Apesar de ser filha única, fui criada para buscar soluções. Sou feminina para dirigir, não assusto os homens. Por outro lado, sei confrontar, dizer ‘isso aí é machismo’. Mas dificilmente me irrito, porque quem te irrita, te domina.”

Como a sra. começou a trabalhar no Magazine Luiza?

Aos 12 anos, ajudando nos meses de dezembro. E comecei a trabalhar aos 18 anos. Venho de uma família empreendedora, mas muito simples. Minha tia era vendedora em uma daquelas lojas antigas de cidade do interior. Depois que ela se casou, foi morar um tempo em São Carlos (SP), mas voltou a Franca (SP) quando eles (Luiza Trajano Donato e Pelegrino José Donato) conseguiram comprar uma loja chamada A Cristaleira. Assim nasceu o Magazine Luiza, que completa 63 anos no próximo dia 16.

Como a loja foi rebatizada?

Em um concurso que minha tia Luiza fez na única rádio de Franca, na época. Ela já começou inovando. O marketing sempre corria nas nossas veias, mesmo quando a gente não tinha dinheiro para marketing.

Qual foi o primeiro movimento de crescimento do Magalu?

Foi em 1974, quando compramos o antigo prédio do Banco do Brasil e mudamos a loja para a esquina. E a gente foi chegando pelas beiradas. Primeiro, fomos para o Triângulo Mineiro e usamos o que aprendemos lá para chegar a Barretos, nossa primeira cidade em São Paulo (além de Franca). Em 1983, fizemos uma coisa inédita: chegamos com três lojas inauguradas no mesmo dia em Ribeirão Preto. Foi um sucesso, a mesma sensação de chegar à cidade de São Paulo, em 2008, com 50 lojas. 

O Magalu fez dezenas de aquisições de concorrentes. Por quê?

A gente sempre comprou o que era estratégico, não para eliminar concorrente. Compramos redes como a Móveis Brasil, em São Carlos, e a Mercantil, em Franca, além de redes no Paraná e Santa Catarina. Tudo isso antes de São Paulo. Depois, fizemos aquisições como a Lojas Maia e Lojas do Baú.

Há princípios do início do negócio que o Magalu aplica até hoje?

A família respeita muito a instituição, não tira dinheiro da instituição. A gente tem um acordo de 1975 que define que na nossa empresa não trabalha agregado. A gente teve coragem de tomar algumas medidas, como fazer sociedade com um banco no crediário quando ninguém fazia isso. Fizemos coisas que muitas vezes representavam abrir mão do lucro de curto prazo

O Magalu resistiu à pressão para separar e-commerce e loja física. Por quê?

As ações chegaram a valer R$ 0,50. A gente não acreditava em separar a operação online da física – na verdade, era uma coisa do Frederico (Trajano) e eu concordava. E nunca ninguém da família ligou questionando pelas ações estarem baixas. 

A sra. se engaja nas causas feministas. Como era chefiar uma empresa nos anos 1970 e 1980?

Minha família já tinha mulheres que trabalhavam. Apesar de ser filha única, fui criada para buscar soluções. Sou feminina para dirigir, não assusto os homens. Por outro lado, sei confrontar, dizer ‘isso aí é machismo’. Mas dificilmente me irrito, porque quem te irrita, te domina.

E quando a empresa sofre críticas, como ocorreu com o programa de trainees exclusivo para negros?

Houve um barulho grande, foi muito agressivo. Mas já estou acostumada. Quando eu falei que vamos meter a colher (entre marido e mulher), ninguém nem falava em violência. Para fazer o novo, você paga um preço.

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