Mesmo Sem Hexa, indústria de tevês cresce 75%

Entre janeiro e junho, foram vendidos 6,4 milhões de aparelhos; ano fecha com 11 milhões

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

A desclassificação prematura do Brasil da Copa do Mundo não impediu que a indústria de televisores comemorasse um crescimento de 75% nos volumes vendidos de aparelhos neste ano. De janeiro a junho, as vendas de TVs somaram 6,4 milhões de unidades. Esse resultado supera o que foi vendido, anualmente, pelos fabricantes entre 1998 e 2003.

Do total comercializado no primeiro semestre deste ano, 4 milhões de unidades (60%) são televisores de tela fina (Plasma, LCD e LED) e 2,4 milhões de aparelhos de tubo, apontam os dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

As vendas de TVs de tela fina tiveram uma acréscimo de 184,8% nos volumes na comparação com igual período de 2009. Os televisores de tubos, que são os modelos com tecnologia mais antiga, registraram crescimento de apenas 6,2% nos volumes em igual período.

"O desempenho foi bom, atingiu as expectativas, e o ano deve encerrar com vendas de mais de 11 milhões de televisores", afirmou Lourival Kiçula, presidente da Eletros, ontem na abertura da Eletrolar Show 2010, feira do setor eletroeletrônico voltada para os lojistas. Se a previsão se confirmar, as vendas de TVs no ano aumentarão, no mínimo, 14,5%, levando em conta 11 milhões de aparelhos neste ano e 9,6 milhões em 2009.

Apesar das tentativas do governo de esfriar o ritmo da economia, subindo os juros e, no caso dos eletrodomésticos da linha branca (fogões, refrigeradores e máquinas de lavar), voltando a cobrar integralmente o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o consumidor deve continuar indo às compras no próximos meses, prevê Kiçula.

Além da recuperação da renda, do emprego e os prazos dilatados do crediário, ele frisa que a renovação tecnológica explica em boa medida o interesse de adquirir uma TV mais moderna. Isso indica que o mercado deve seguir firme no segundo semestre, apesar de 2010 ter sido um ano de Copa, quando normalmente a sazonalidade é invertida. Isto é, há maior concentração de vendas de janeiro a junho.

Nos eletroportáteis e nos eletrodomésticos da linha branca, o desempenho das vendas do primeiro semestre não foi espetacular como o dos televisores, porém os resultados são positivos.

De acordo com a Eletros, a indústria de eletroportáteis, que produz liquidificadores, espremedores de frutas e ferros de passar, por exemplo, vendeu 10,3 milhões de aparelhos no primeiro semestre. O crescimento foi de 10,5% na comparação com igual período de 2009.

Na linha branca, as vendas aumentaram 8% em número de unidades na primeira metade do ano, segundo a Eletros. A expectativa é de que encerre 2010 com um acréscimo entre 7% e 9% nos volumes comercializados.

"Se o corte do IPI tivesse sido mantido, estaríamos crescendo numa velocidade bem maior entre 30% e 35%", disse Kiçula.

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