Mesmo tendo mantido juro, há consenso no Copom sobre necessidade de ajuste da taxa

Resultados dos estímulos aplicados na crise 'serão parte importante' das próximas decisões, diz BC

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

25 de março de 2010 | 08h40

 Os diretores do Comitê de Política Monetária (Copom) admitiram na ata da reunião da semana passada, divulgada nesta quinta-feira, 25, que houve "houve consenso entre os membros do Comitê quanto à necessidade de se implementar um ajuste na taxa básica de juros". Segundo o trecho 26 do documento, essa necessidade de ajuste do juro tem como objetivo "conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como para reforçar a ancoragem das expectativas de inflação".  

 

A tese é reforçada no trecho 30, quando o colegiado afirma que também houve consenso "quanto à necessidade de se adequar o ritmo do ajuste da taxa básica de juros à evolução do cenário inflacionário prospectivo, bem como ao correspondente balanço de riscos". Essa alteração no patamar do juro tem como objetivo "limitar os impactos causados pelo comportamento da inflação corrente sobre a dinâmica subjacente dos preços".

 

Apesar dessas avaliações, a taxa Selic foi mantida em 8,75% ao ano na semana passada porque a maioria do grupo - cinco diretores - entenderam "ser mais prudente aguardar a evolução do cenário macroeconômico até a próxima reunião do Comitê".

 

A explicação consta no parágrafo 27 do documento e afirma que o voto da maioria dos membros levou em conta "as informações disponíveis neste momento, aliadas ao fato de que já está em curso o processo de retirada dos estímulos introduzidos durante a crise".

 

A ata destaca ainda que o resultado dos estímulos econômicos aplicados durante a crise financeira "serão parte importante" das próximas decisões sobre o rumo do juro básico da economia brasileira. "Os efeitos desses estímulos serão parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária, que devem assegurar a manutenção da convergência da inflação para a trajetória de metas em 2010 e 2011, serão tomadas", cita o documento no parágrafo 29.

 

Os membros do Comitê lembram que foram aplicados "importantes estímulos fiscais e creditícios" na economia brasileira nos últimos trimestres e que esses fatores "deverão contribuir para a consolidação da retomada da atividade e, consequentemente, para a redução de qualquer margem residual de ociosidade dos fatores produtivos".

 

Ainda entre os fatores que incentivam a demanda, os diretores do BC afirmam que "depois de breve contração, a demanda doméstica se recuperou, em grande parte graças aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a retomada do crédito".

 

O Comitê também afirma que os três votos favoráveis à alta da Selic já neste mês foram sustentados pelas "projeções de inflação e o balanço de riscos". No encontro encerrado na quarta-feira da semana passada (dia 17), o juro básico permaneceu em 8,75% por cinco votos a favor da manutenção e três votos pela alta de 0,50 ponto porcentual.

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