Meta agora é viabilizar o pré-sal com petróleo a US$ 30

A Petrobrás persegue uma redução de custos no investimento e na operação do campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, a ponto de o projeto ser rentável mesmo com o barril do petróleo sendo negociado a US$ 30, apurou o Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado.

Fernanda Nunes / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2015 | 02h06

O plano de negócios atual da Petrobrás indica que o pré-sal é viável com o barril do petróleo cotado a, no mínimo, US$ 45. Atualmente, o barril do tipo brent, negociado na bolsa de Londres, é negociado a US$ 50, metade do que valia há cerca de um ano.

Com a retração do preço da commodity, projetos no mundo todo passaram a ser revistos, inclusive o pré-sal no Brasil, a grande aposta da Petrobrás para sair da crise financeira.

Tecnologia e contratos. Para que a área de Libra alcance o nível de rentabilidade perseguido pela Petrobrás, a equipe técnica tem como meta a redução dos valores de contratos firmados com fornecedores e o uso de tecnologia para baratear o projeto.

Até hoje, a petroleira brasileira conseguiu rever os gastos na compra de equipamentos e serviços em 13%, em toda a área de exploração e produção, não só no pré-sal.

Em alguns casos, foi possível chegar a uma economia de 20%, segundo a diretora de Exploração e Produção (E&P), Solange Guedes, que participou ontem do evento OTC Brasil 2015. Como contrapartida, a Petrobrás tem oferecido estender os prazos de contratação e pagamento e ser menos exigente com o produto final, aceitando mudanças de especificações.

'Contratos fechados'. Algumas negociações são mais complicadas, disse Solange, porque "os fornecedores se preparam para a estrutura de custo" firmada inicialmente, mas que já não são condizentes com a crise da indústria petroleira. O problema é que as empresas costumam usar os contratos fechados com a Petrobrás como garantia de financiamento.

Ao mudarem os valores, as empresas são obrigadas a dar explicações aos seus financiadores, o que nem sempre é fácil, disse Segen Stefen, do conselho de administração da petroleira, ao participar na terça-feira da OTC.

"Toda negociação precisa ser um processo de ganha-ganha", afirmou Solange, preocupada em passar a mensagem de que a reestruturação de preços é uma preocupação para todo o setor, inclusive o de fornecedores.

Enquanto os preços do petróleo se mantiverem baixos, a Petrobrás continuará perseguindo a revisão dos contratos. "Esse é um processo contínuo" dentro da empresa, sem prazo para terminar, disse a diretora.

A indústria nacional está sendo receptiva ao apelo da Petrobrás para a redução de custos, segundo a diretora de Exploração e Produção.

Redução de custos. Em sua palestra, Solange destacou que a empresa, no primeiro semestre, conseguiu reduzir custos no investimento no E&P de US$ 560 milhões. De 2013 até o primeiro semestre deste ano, os custos foram reduzidos em US$ 1,77 bilhão. Já o tempo de construção de poços foi reduzido em 57% de 2010 até setembro deste ano.

Segundo Segen Stefen - que além de conselheiro da Petrobrás é professor da Coppe/UFRJ, uma das principais instituições de pesquisa de tecnologia para o setor de petróleo no Brasil - até que uma tecnologia seja desenvolvida e tenha resultados efetivos no resultado das empresas petroleiras, demora de cinco a dez anos.

Augusto Hogaz, gerente de tecnologia de construção de poços da Petrobrás, afirmou que a empresa investe há anos em pesquisas e está preparada para a crise.

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