ALEX SILVA / ESTADÃO
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Meta de inflação para 2021 será definida pelo CMN junho, diz Ilan

Presidente do Banco Central afirmou que não há planos de alterar os objetivos para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2018 | 22h01

NOVA IORQUE-  O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que a decisão sobre a meta de inflação para 2021 será definida pelo Conselho Monetário Nacional em junho. "Esta questão caberá ao Conselho", destacou. Ele ressaltou que não há o plano de alterar os objetivos para o IPCA definidos pelo CMN, como é o caso para os anos de 2019 e 2020.

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O presidente do BC também manifestou que a liberação de financiamentos cresce de forma gradual no País desde o fim de 2016, especialmente para as famílias. "Há começo de recuperação de concessão de crédito para as companhias, inclusive de pequeno e médio portes", destacou. 

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Reformas.  Ele ainda afirmou que os riscos para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) convergir à meta são uma eventual piora do cenário externo e o não andamento das reformas no País. A declaração foi dada em palestra organizada pela Columbia University - SIPA e Fundação OMFIF, em Nova York.

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"Não temos condições de termos juros e inflação baixa se as reformas não continuarem", afirmou. "Reforma da Previdência é a mais importante que ainda precisa ser aprovada", declarou também. "Para ter inflação e juro baixos, precisamos de reformas, como a da Previdência Social".

Para ele, a política monetária vive um interessante balanço de riscos. Goldfajn declarou que os mercados emergentes, o Brasil em particular, foram favorecidos por ambiente externo nos últimos anos. "Continuaremos com recuperação mundial, mas não veremos juro baixo nos EUA no longo prazo", disse.

O presidente do BC disse que é preciso garantir que a inflação convirja para a meta de forma apropriada. Segundo ele, o núcleo de serviços está num ritmo provavelmente abaixo de 3%. Afirmou também que a taxa de juros, hoje, está em nível que nunca se viu no Brasil.

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Para ele, se o Brasil permanecer com inflação e juro baixos, será uma grande mudança para o sistema financeiro e para a economia. Goldfajn disse que a inflação passou por uma mudança importante, caindo de dois dígitos (10,67% em 2015) para um número menor em 2017, com ajuda de preços de alimentos e expectativas ancoradas. Para ele, inflação chegou a dois dígitos com intervenção do governo anterior em preços. Em agosto de 2016, ele lembrou, o índice de preços estava em 9%, quando a taxa de desemprego estava em 10%.

O presidente do BC lembrou também que a economia brasileira, depois de uma queda de 7,8% em dois anos, tem mostrado uma recuperação gradual, crescendo a um ritmo de 2,5% a 3%. Quando assumiu o BC, Goldfajn manteve a meta de inflação de 4,5% em um contexto de recessão.

Além disso, o presidente do BC afirmou que o funding de mercados de capitais cresceu 90% em 2017 e que hoje é mais barato ter financiamento nos mercados do que no BNDES. "Com reforma no BNDES, não vão faltar recursos para empréstimos do banco", disse. Goldfajn também afirmou que cerca de 50% do crédito no Brasil é direcionado e tem de mudar para ajudar a política monetária.

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