Meta final do yuan pode ser livre flutuação, sugere BC chinês

Objetivo, entretanto, ainda está longe de ser atingido; tamanho da China e seu desenvolvimento desigual complicam a questão da conversibilidade do câmbio

Danielle Chaves, da Agência Estado,

30 de julho de 2010 | 08h34

A meta final da China é agir na direção de uma moeda totalmente conversível e na prática internacional as moedas conversíveis são geralmente de livre flutuação, afirmou Yi Gang, um dos vice-presidentes do Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país), em uma entrevista publicada no site do órgão regulador de câmbio externo do país.

Os comentários de Yi sugerem que uma moeda livremente flutuante pode ser o resultado final da política cambial da China, embora tal objetivo ainda esteja a uma grande distância. O grande tamanho da China e seu desenvolvimento desigual complicam a questão da conversibilidade do câmbio e torna "difícil atingir um consenso" sobre a questão, disse a autoridade.

Yi, que também dirige o órgão regulador de câmbio externo da China, afirmou que o país não tem um cronograma para tornar a moeda totalmente conversível e observou que a meta foi endossada pela liderança do país já em 1993.

A autoridade também afirmou que as reservas em moedas estrangeiras deveriam ser diversificadas em diferentes divisas e diferentes classes de ativos. "Uma vez que decidimos investir em uma moeda, em seguida devemos decidir se usamos a moeda para comprar bônus ou alguns outros ativos", disse Yi. "O princípio da diversificação que nós seguimos é, de fato, um princípio de alocação de ativos."

O yuan é conversível na conta corrente, o que significa que ele é livremente intercambiável no comércio de bens e outras transações de curto prazo. Mas o yuan não é totalmente conversível na conta de capital, o que significa que o governo controla seu câmbio com outras moedas para propósitos de investimentos, empréstimos e outras transações de longo prazo.

Citando informações do Fundo Monetário Internacional (FMI), Yi afirmou que os países geralmente demoram entre 7 e 10 anos para abrir sua conta de capital depois de abrir a conta corrente. No entanto, a China está demorando bem mais, já que a conta corrente está aberta desde 1996.

Na entrevista, Yi também se juntou à colega vice-presidente do PBOC Hu Xiaolian no debate sobre a valorização do yuan, argumentando que isso vai gerar benefícios reais para os cidadãos chineses. Hu tem feito uma campanha para explicar e promover os benefícios de uma taxa de câmbio do yuan mais flexível. Hoje, em seu quinto depoimento público sobre o assunto em apenas duas semanas, Hu argumentou contra se concentrar muito nos custos de um yuan mais alto para algumas empresas.

Os comentários das autoridades, porém, não tiveram forte impacto no mercado de câmbio chinês. "Enquanto a taxa de paridade central permanecer estável, não faz diferença o que o PBOC diz", afirmou um operador de um banco de Xangai. As informações são da Dow Jones. 

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