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Meta fiscal de 2017 ainda não está fechada e sai até quinta, diz Meirelles

Ministro da Fazenda disse que dificuldades para definir o número são as mesmas da meta de 2016; equipe econômica defende déficit de R$ 150 bi e não descarta elevar impostos

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 11h58

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reafirmou que a equipe econômica trabalha para fechar os cálculos em torno da meta fiscal de 2017 até quinta-feira, negou divergências entre a equipe econômica e política e confirmou que existe a possibilidade de aumento de impostos.

Segundo ele, a dificuldade para se fechar o número é a mesma que aconteceu na meta de 2016, por conta de uma série de variáveis que tem que ser estimada. "Estamos agora trabalhando na receita e obviamente isso envolve diversos setores de atividade econômica, a retomada da confiança, o investimento, a infraestrutura. Temos que pensar também em privatização e venda de ativos", disse. Questionado se o aumento de impostos também está neste horizonte ele respondeu: "Estamos considerando e vamos divulgar as conclusões ainda essa semana".

Meirelles disse ainda que os cálculos do governo visam divulgar o menor déficit possível. "Será uma meta realista e crível". O ministro disse ainda que o governo trabalha com o pressuposto de que a PEC que limita os gastos será aprovada no Congresso. "A despesa está dada, temos a meta de 2016 com previsão de despesas e temos o teto para o crescimento das despesas em 2017, vamos trabalhar e estamos trabalhando com pressuposto de que o Congresso vai aprovar a PEC."

Meirelles negou que haja "um pacote de bondades" por parte do governo e disse que a proposta é uma "mudança cultural" em relação aos gastos públicos. Segundo ele, a decisão caberá ao Congresso, como é o correto, discutir como o Orçamento da União e como alocar as despesas dentro do teto. "O importante é (que as despesas) tenham crescimento real acima de inflação de zero", afirmou.

O ministro disse ainda que não precisa de mais conversas com o presidente em exercício, Michel Temer, para que o número da meta de 2017 seja fechado e negou que haja divergências entre opiniões da ala política e econômica. "Não há necessidade de conversa, não há divergência", disse.

Tamanho do rombo. O governo pretende definir o valor da nova meta de resultado das contas públicas para o ano de 2017 e, para isso, vai administrar uma divisão em sua equipe. A ala econômica defende um déficit de R$ 150 bilhões, resultado melhor do que os R$ 170,5 bilhões fixados para este ano. Porém, há conselheiros políticos, entre eles o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, pregando que a manutenção da meta em R$ 170,5 bilhões é suficiente para garantir a disciplina e o apoio do setor produtivo, principalmente no atual quadro de retração econômica. É esse o dilema que Temer vai arbitrar.

Meirelles comentou as declarações de Padilha e disse que o ministro deu apenas a sua opinião. "Foi apenas uma manifestação legítima do ministro Padilha dizendo que se for R$ 170 já seria sinal extremamente positiva. É uma opinião dele e como sempre fazemos vamos levar em conta opinião com maior seriedade", disse, ressaltando que não há ainda uma antecipação. "Estamos concluindo os cálculos e certamente devemos anunciar até quinta-feira", reforçou. 

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