Meta fiscal reduzirá inflação e trará crescimento, diz Mantega

Ministro disse, mais uma vez, que a baixa expansão econômica do País é fruto da crise internacional 

Ricardo Della Coletta, Renata Veríssimo, Laís Alegretti e Adriana Fernandes, da Agência Estado  ,

20 de fevereiro de 2014 | 12h01

BRASÍLIA - Em discurso após o anúncio da mata fiscal para 2014, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o objetivo da programação orçamentária é a "consolidação fiscal". De acordo com ele, a medida contribuirá para redução da inflação e para o crescimento sustentado do País.

Mantega afirmou que a previsão de crescimento do PIB brasileiro de 2,5% em 2014, menor do que projeções anteriores do governo, se deve à recuperação lenta da economia mundial - como habitualmente costuma dizer.

"Embora esteja ocorrendo recuperação da economia internacional, ela está sendo lenta. Talvez mais lenta do que aquilo que o mercado estava prevendo", disse.

"Iniciamos 2014 com volatilidade e alguma turbulência, que tende a se acalmar ao longo do ano." "Ela a turbulência se dá em função da retirada dos estímulos americanos e de outros países. Num primeiro momento, causa volatilidade, que atrapalha o crescimento dos países emergentes", disse.

Superávit modesto. Mantega também atribui a meta baixa de 1,9% do PIB de superávit primário do setor público à crise global.

"Já fizemos resultados maiores no pré-crise, mas de 2008 pra cá fica mais difícil fazer resultados primários maiores", disse.

"O Brasil continua sendo um dos países que fazem maiores superávits primários do mundo e vamos continuar nessa trajetória", afirmou.

Estimativas conservadoras. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a programação orçamentária de 2014 foi feita com "estimativas conservadoras" de receita.

"A receita projetada está crescendo menos do que já cresceu em anos anteriores. É conservadora", disse o ministro. Sobre as premissas que nortearam o corte, Mantega disse que a previsão de ingresso de receitas extraordinárias é menor do que no ano passado. E que não está prevista, para 2014, nenhuma nova desoneração tributária, para além das que já foram concedidas no período anterior.

"Não haverá perda de arrecadação por causa de novas desonerações", afirmou.

Mantega disse que o governo continuará com a premissa de contenção de despesas de custeio da máquina. E que o investimento deverá crescer neste ano e há "condições propícias" para que isto ocorra".

O decreto de contingenciamento, que segundo Mantega será publicado nesta quinta-feira, 20, traz as diretrizes de política fiscal para 2014, com contingenciamento das despesas e a meta fiscal a ser perseguida pela área econômica.

Crescer pelo investimento. Mantega disse que o investimento, que cresceu em torno de 5,5% no ano passado, deverá continuar avançando neste ano, "porque continuará tendo condições propícias para que isso ocorra".

O ministro afirma que crescerá "sobretudo" o investimento privado. E, embora diga que haverá aumento do investimento público, foi reduzida a previsão de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em R$ 7 bilhões, por exemplo, somando R$ 54,463 bilhões. Na proposta original, a previsão era de R$ 61,463 bilhões.

"O investimento privado tem um grande estímulo com esse programa de concessões que está sendo implementado e vai se traduzir já em 2014 em muitas obras e em muitos investimentos a serem feitos em todo o Brasil", disse.  

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