Meta flexível não é meta, diz Loyola

O projeto de lei que o governo federal enviou ao Congresso Nacional retirando o teto do limite de abatimento com despesas do PAC e das desonerações do superávit primário é o "reconhecimento do fracasso" da política fiscal em 2014, segundo Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria Integrada. Para ele, a mudança significa ter uma meta flexível, "e meta flexível não é meta".

IGOR GADELHA, MARIA REGINA SILVA, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2014 | 02h03

"Esse projeto é negativo, porque mostra que o governo não conseguiu cumprir a meta e, agora, arrumou um jeito de não ter meta", afirmou. Diante desse ano fiscal ruim, Loyola afirmou que, "de certa maneira", o projeto não surpreende o mercado financeiro. "Em 2014, há pouco o que fazer, praticamente já estamos no final do ano e os resultados acumulados são muito ruins. O estrago foi ao longo do ano, quando o governo insistiu na ficção de que iria cumprir a meta de superávit e agora não pode fazê-la", afirmou.

Na visão de Adauto Lima, economista da Western Asset, o projeto enviado ao Congresso é só uma adaptação de um cenário já ruim das contas públicas. A despeito de a Lei de Diretrizes Orçamentárias estar sendo "desrespeitada", ele acrescentou que não havia nenhuma expectativa de que o primário pudesse fechar dentro do estabelecido.

Segundo o economista, o problema é que vão retirando as amarras da questão fiscal. "Estão tirando os elementos que tentavam garantir uma certa regra para o comportamento fiscal. Isso é ruim. Então, para que serve a LDO? No penúltimo mês do ano, mudam a regra para o mês seguinte, para este ano", disse.

Lima disse que nem chegou a acreditar que o governo pudesse cumprir a meta fiscal de 1,9% do PIB. A expectativa da Western Asset, segundo ele, é que o dado fique perto de zero, com algum viés negativo. "Dada a (eventual) mudança da LDO, não sei se vão deixar restos a pagar", disse.

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