Metade das empresas fecha em três anos

Segundo o IBGE, 48% das companhias abertas de 2007 e 2010 deixaram o mercado

FERNANDA NUNES / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h04

Quase metade das empresas brasileiras abertas no País não sobrevive aos primeiros três anos de vida, segundo a pesquisa Demografia das Empresas, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Das empresas abertas entre 2007 e 2010, 48,2% fecharam antes de completar 36 meses.

O Brasil tinha 4,5 milhões de empresas ativas em 2010, com idade média de 9,7 anos, segundo a pesquisa. Naquele ano, o número de empresas registradas superou em 6,1% o total de 2009, o que indica um acréscimo de 261,7 mil companhias à economia brasileira.

A maior parte das novatas era de pequeno porte - foram elas justamente as que lideraram o encerramento das atividades no período analisado. "As empresas maiores, com maior capital imobilizado, tendem a permanecer mais tempo no mercado, pois os custos de saída costumam ser elevados", informa o IBGE. Nas empresas individuais, que não empregam nenhum funcionário, o instituto aponta que a taxa de mortalidade é ainda maior: 54,7% deixam de existir após três anos.

Em 2010, a taxa de saída (porcentual de empresas que saíram do mercado em relação ao total de empresas ativas) passou de 17,7%, em 2009, para 16,3%, no ano seguinte.

A mortalidade das empresas caiu mais no Norte e no Nordeste - no entanto, a taxa de fracasso nas duas regiões continuou a superar a média nacional (20,1% e 17,4%, respectivamente).

O Brasil soma 33.320 empresas de alto crescimento - que apresentam alta no pessoal ocupado igual ou superior a 20% num período de três anos -, segundo o IBGE. Elas representam 0,7% do total das pessoas jurídicas abertas no País. O número de vagas abertas nas empresas de alto crescimento saltou de 1,8 milhão, em 2007, para quase 5 milhões de pessoas, em 2010 - alta de e 175,4%. No mesmo período, o volume de empregos nas empresas aumentou 21,7%, em média, para 30,8 milhões.

Contratações. Pela primeira vez desde 2008, quando iniciou a série histórica da demografia das empresas, o IBGE registrou, em 2010, a marca de pelo menos um emprego formal gerado para cada empresa que entrou no mercado. Foram 999,1 mil novas empresas, que geraram um total de 1,03 milhão de vagas.

O maior número de postos de trabalho entre as estreantes foi criado no segmento do comércio, com 364,7 mil novas ocupações, o equivalente a 35,6% do total. Em seguida, vieram a indústria de transformação, com 152 mil postos de trabalho (14,8%), e a construção civil, com 150,3 mil (14,7%).

Em todo o Brasil, as empresas empregavam 37,2 milhões de pessoas, sendo 30,8 milhões (82,9%) assalariados e 6,4 milhões (17,1%) na condição de sócio ou proprietário. Os salários e outras remunerações pagos totalizaram R$ 566,1 bilhões, com um salário médio mensal de R$ 1.357,99, equivalente a 2,9 salários mínimos médios mensais.

"Em um ambiente econômico favorável, as novas empresas acabaram criando mais empregos", disse a gerente de Análise do Cadastro Central de Empresas (Cempre) do IBGE, Denise Guichard. "Mas a dificuldade de continuar no mercado permaneceu." O IBGE estima que 736,4 mil empresas fecharam as portas em 2010 - o número ainda é menor do que o de companhias estreantes, tornando o saldo de criação de empresas positivo.

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