Metade das empresas que abriram o capital desde 2005 tem perda na Bolsa

Levantamento serve de alerta no momento em que mercado celebra a chegada de duas novas companhias à Bovespa: BB Seguridade e Smiles

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2013 | 02h06

Os papéis de 51% das 121 companhias que fizeram IPO (oferta inicial de ações, em inglês) na Bovespa a partir de 2005 e permanecem com capital aberto estão com rentabilidade negativa desde a estreia na Bolsa. Os dados foram compilados pela BRZ Investimentos e levam em conta as cotações até 25 de abril.

O levantamento realizado também mostra que 52,5% dessas empresas estão com um desempenho abaixo do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), principal termômetro do mercado acionário brasileiro.

O recorte para a análise das aberturas de capital tem início em 2005, ano em que houve uma retomada do mercado de ofertas. Em 2006, por exemplo, a Bolsa registrou 28 IPOs e, em 2007, no auge, foram realizadas 66 aberturas de capital. "Não houve muitas empresas bem-sucedidas após a abertura de capital se o Ibovespa for usado como referência", afirma Allan Hadid, CEO e sócio da BRZ Investimentos.

Há várias razões para o mau desempenho das empresas que abriram o capital nos últimos anos. Parte delas fez o IPO num período de extrema valorização do Ibovespa, antes da crise econômica internacional que abalou os mercados. Também era uma época em que as ações das companhias listadas na Bolsa brasileira tinham maior aceitação, sobretudo do investidor externo.

"As empresas têm diferentes motivos para não terem um bom resultado: seja porque a comunicação delas com o mercado é falha, a equipe de gestão não estava apta a gerir a companhia de capital aberto ou prometeram um resultado que não foi entregue", afirma Hadid.

O desempenho de cada papel pode mudar muito de um dia para outro, mas essa dispersão de resultados das ações listadas na Bolsa indica que é preciso pesquisar e fechar o foco para definir a estratégia de investimento. "No setor de construção, por exemplo, muita gente analisa e conclui que teve péssimos resultados. Mas algumas empresas foram bem. Não dá para generalizar", diz o CEO e sócio da BRZ Investimentos.

O próprio Ibovespa tem sido influenciado pelo desempenho ruim de alguns papéis com grande peso no índice, em especial da Petrobrás, da Vale e das companhias do empresário Eike Batista. No ano, o Ibovespa acumula queda de 10,99% e, em 12 meses, de 12,78%.

Retomada. O mercado de IPOs também dá sinais de aquecimento este ano, pelo menos na comparação com o desempenho verificado em 2012. Até 25 de abril, a abertura de capital foi realizada por quatro empresas - Linx, Senior Solutins, Biosev, Alupar. "A gente está otimista em ver que tem empresa que está querendo acessar o mercado brasileiro", afirma Hadid. Hoje, mais dois papéis começam a ser negociados na Bovespa: os da BB Seguridade e da Smiles.

Diante desse cenário, o pequeno e médio investidor precisa ter atenção. Um dos grandes mitos do mercado é o que diz que ações de novatas sempre vão se valorizar, avalia André Massaro, especialista em finanças pessoais.

"Criou-se uma ideia de que a ação da empresa que abre o capital imediatamente sobe. Isso é um mito que insiste em não morrer", afirma.

Não há uma data ideal para que o investidor comece a apostar numa empresa listada em Bolsa. Para Massaro, a espera pode ser de pelo menos três anos. "No geral, para o pequeno investidor, pode não ser adequado entrar num momento do IPO", afirma ele. "No intervalo de três anos, a empresa consegue se adaptar e ter um histórico de valorização", diz.

Vale lembrar que o pequeno investidor, além da compra exclusiva do papel, também pode entrar no mercado acionário por meio dos fundos. Essa pode ser uma alternativa interessante para quem não tem tanto tempo para administrar os recursos na renda variável.

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