Metade das famílias paulistanas tem dívidas

Pesquisa da Fecomércio-SP mostra que resultado de julho cresceu 1% em relação a junho, mas a média deste ano é inferior à registrada em 2013

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2014 | 05h00

Metade das famílias na cidade de São Paulo tem algum tipo de dívida. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP), a quantidade de famílias endividadas subiu para 50,1% em julho - alta de 1% em relação ao mês anterior.

“Apesar do aumento, no longo prazo, a quantidade de famílias endividadas está estabilizada com uma média inferior à de 2013. Essa curva caiu no ano passado e se estabilizou ao redor de 50%”, diz Fabio Pina, assessor econômico da FecomercioSP. Em julho de 2013, por exemplo, a proporção das famílias paulistanas endividadas era de 57%.

“Tivemos queda no volume de crédito, aumento da inflação, da taxa de juros. Era natural que houvesse perda de confiança do consumidor e ele ficasse mais conservador. E também há o outro lado - os bancos começaram a restringir crédito esse ano”, diz Pina.

Ele afirma que, apesar de haver uma percepção tanto de empresários como de consumidores sobre a desaceleração da economia, a perda do poder de compra pela inflação - que tem recaído especialmente sobre os alimentos, afetando as classes mais baixas - pode levar ao endividamento. “Muitas vezes você é compelido a tomar crédito para manter o seu consumo”, diz.

Pina pontua também a elevação da taxa de juros. “Para pessoa física, os juros estão em média de 43% ao ano, numa inflação de 6% - o que dá no mínimo 36% de juro real, certamente o maior do mundo para o consumidor”, diz.

Ainda segundo a pesquisa, quatro em cada dez famílias endividadas têm a renda comprometida com dívidas para mais de um ano. A maior parte das famílias (49%) tem entre 11% e metade da renda mensal comprometida com dívidas. Em situação mais preocupante estão 20% do total, com parcelas que somam mais da metade da renda.

O principal meio para a contração de dívidas ainda é o cartão de crédito - que alcança 69,2% das famílias paulistanas endividadas.

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