Tiago Queiroz/Estadão - 17/12/2019
Segundo o IBGE, os 10% dos brasileiros com menores rendimentos detinha 0,8% de toda a riqueza produzida no País em 2019. Tiago Queiroz/Estadão - 17/12/2019

Metade dos brasileiros sobrevive com menos de R$ 15 por dia, aponta IBGE

Apesar do resultado, órgão aponta que de 2018 para 2019 houve melhora nos extratos medianos da população e uma ligeira diminuição da desigualdade

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 10h00

RIO - Metade dos brasileiros sobrevive com apenas R$ 438 mensais, ou seja, cerca de 105 milhões de pessoas têm menos de R$ 15 por dia para satisfazer todas as suas necessidades básicas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira, 6.

Os resultados são referentes à renda média real domiciliar per capita de 2019, apurada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Rendimento de todas as fontes 2019.

Os 10% mais pobres, o equivalente a 20,95 milhões de pessoas, sobreviviam com apenas R$ 112 por mês, ou R$ 3,73 por dia. Em relação a 2018, houve elevação de 0,9% na renda média dessa parcela da população, mas que em termos reais permanece inexpressiva: apenas R$ 1 a mais.

Por outro lado, o extrato mais rico, equivalente a 1% dos brasileiros, vivia com R$ 17.373 mensais, o que significou um aumento de renda de 2,7% para essa população, que somava pouco mais de 2 milhões de pessoas.

Apesar da disparidade de renda e concentração de riqueza ainda aguda, houve ligeira redução na desigualdade no País, segundo a pesquisa. O Índice de Gini - indicador que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1, sendo maior a concentração de renda quanto mais próximo de 1 for o resultado – saiu de 0,545 para 0,543 de 2018 para 2019. Embora o extrato mais rico tenha registrado um ganho de renda três vezes maior que o do extrato mais pobre, houve melhora nos extratos medianos da população, justificou o IBGE.

“Acho que está relativamente estável, acompanhando a tendência do mercado de trabalho. Tem um pouco de ganho dos mais pobres, e um pouco de ganho dos rendimentos mais altos”, disse Alessandra Scalioni Brito, analista do IBGE.

Concentração de renda

O rendimento médio mensal real domiciliar per capita foi de R$ 1.406 na média do País, ficando abaixo do salário mínimo no Norte (R$ 872) e Nordeste (R$ 884), mas superando esse valor no Sudeste (R$ 1.720).

A massa de renda domiciliar obtida de todas as fontes totalizou R$ 294,396 bilhões em 2019, também distribuída de forma desigual. A parcela dos 10% dos brasileiros com os menores rendimentos detinha 0,8% dessa riqueza, enquanto os 10% mais ricos concentravam 42,9% dela.

“Tem uma concentração muito grande, com 10% dos domicílios mais ricos pegando quase metade da renda do País”, observou Alessandra Scalioni Brito.

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Nordeste vê aumento da desigualdade e Norte tem perda generalizada de renda

Segundo dados do IBGE, em nenhuma das duas regiões analisadas, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita alcançou o piso do salário mínimo

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 10h00

RIO - A concentração de riqueza aumentou na Região Nordeste no ano passado. Ao mesmo tempo, a Região Norte registrou melhora na desigualdade, mas em consequência de um fenômeno negativo: houve perda generalizada de renda em todas as faixas de população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os resultados são referentes à renda média real domiciliar per capita de 2019, apurada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Rendimento de todas as fontes 2019.

O rendimento médio mensal real domiciliar per capita obtido de todas as fontes não alcançava o salário mínimo nem no Norte (R$ 872), nem no Nordeste (R$ 884), embora suba ao dobro desse valor no Sudeste, R$ 1.720. Na média nacional, a renda média domiciliar per capita de todas as fontes foi de R$ 1.406 em 2019.

A renda per capita da Região Nordeste teve o maior crescimento entre as regiões brasileiras no ano de 2019, 4,5%, mas puxada pelos ganhos dos mais ricos. Os pobres ficaram ainda mais miseráveis.

Na região Nordeste, metade da população sobrevivia com apenas R$ 261 mensais. Os 10% mais pobres contavam com R$ 57 por mês para sobreviver, menos de R$ 2 por dia, uma queda de 5,0% em relação ao dinheiro disponível no ano anterior. Por outro lado, a fatia 1% mais rica da população local recebeu R$ 11.800, um salto de 14,9% na renda dessas famílias em apenas um ano.

Como consequência, o Índice de Gini da renda domiciliar per capita subiu de 0,545 para 0,559 entre 2018 e 2019 no Nordeste. O Índice de Gini é um indicador que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1, sendo maior a concentração de renda quanto mais próximo de 1 for o resultado.

Na passagem de 2018 para 2019, a Região Norte teve redução de 5,3% no rendimento médio domiciliar per capita. Houve perda de poder aquisitivo em todas as faixas de rendimentos, especialmente entre os mais ricos. O Índice de Gini local desceu de 0,551 em 2018 para 0,537 em 2019.

Ainda assim, a fatia 1% mais rica recebia R$ 9.937 mensais, contra apenas R$ 73 obtidos pelos 10% mais pobres. Metade dos moradores da região Norte do País sobreviviam com R$ 273 mensais no ano passado.

Na média nacional, o Gini teve ligeira redução, de 0,545 em 2018 para 0,543 em 2019. O Índice de Gini da região Sudeste diminuiu de 0,533 em 2018 para 0,527 em 2019. No Sul, o Gini reduziu de 0,473 para 0,467. No Centro-Oeste, o Gini passou de 0,513 para 0,507.

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Um em cada cinco trabalhadores brasileiros recebe menos da metade do salário mínimo

Segundo o IBGE, em 2019 a  renda média entre os 20% com menores rendimentos do trabalho era de apenas R$ 471

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 10h54

RIO – Um em cada cinco trabalhadores brasileiros recebia menos da metade do salário mínimo em 2019. A renda média entre os 20% com menores rendimentos do trabalho era de apenas R$ 471 no ano passado. 

Se considerados os 50% com menores rendimentos, ou seja, metade de todos os trabalhadores em atividade, a renda média subia a R$ 850, ainda aquém do salário mínimo de R$ 998 determinado por lei em 2019.

Os resultados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Rendimento de todas as fontes 2019, divulgada nesta quarta-feira, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em ambos os casos, houve ligeira redução na renda média do trabalho em relação a 2018, R$ 1 a menos. Os trabalhadores mais bem remunerados também tiveram redução de renda, mantendo o Índice de Gini da renda do trabalho estagnado em 0,509 no ano passado, mesmo resultado de 2018. O Índice de Gini é um indicador que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1, sendo maior a concentração de renda quanto mais próximo de 1 for o resultado.

Apesar de não ter piorado, a concentração de renda permanecia aguda no mercado de trabalho. A fatia de 1% de trabalhadores mais bem remunerados recebiam R$ 28.659 em 2019, enquanto os 10% trabalhadores com remunerações mais baixas ganhavam, em média, apenas R$ 267 mensais.

Na média nacional, a renda do trabalho foi de R$ 2.308 em 2019, R$ 9 a menos que em 2018. No entanto, houve aumento no número de pessoas com renda de trabalho, passando de 43,4% da população em 2018, ou 90,1 milhões de trabalhadores, para 44,1% em 2019, 92,5 milhões de indivíduos.

“O aumento no trabalho por conta própria e a redução na carteira assinada podem ter afetado sim essa média do rendimento do trabalho”, afirmou Alessandra Scalioni Brito, analista do IBGE.

A população que se autodenomina branca ainda recebia quase o dobro no mercado de trabalho do que os trabalhadores que se dizem negros ou pardos. O rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas brancas foi de R$ 2.999 em 2019, enquanto os autodeclarados pardos receberam R$ 1.719 e os pretos, R$ 1.673.

Desigualdade de gênero

As desigualdades entre homens e mulheres também permaneceram: a renda do trabalho dos homens foi R$ 2.555, 28,7% mais alto que o das mulheres, que receberam R$ 1.985.

Os trabalhadores com ensino superior completo recebiam R$ 5.108 de remuneração média no ano passado, quase três vezes mais que a renda dos trabalhadores que concluíram apenas o ensino médio, de R$ 1.788, e cerca de seis vezes superior ao rendimento daqueles sem instrução, de R$ 918.

O total de pessoas que receberam aposentadoria ou pensão teve ligeiro aumento, de uma fatia de 14,6% da população em 2018 para 14,7% no ano passado.

Já o porcentual de domicílios atendidos pelo Bolsa Família caiu de 13,7% em 2018 para 13,5% em 2019. Em 2012, 15,9% dos domicílios do país recebiam o Bolsa Família.

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) era recebido em 3,7% dos domicílios do país em 2019, ante uma fatia de 3,6% em 2018. Em 2012, esse ponto percentual era de 2,6%. 

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Mais de 9 milhões de lares brasileiros têm despejo inadequado de esgoto

Na Região Norte, a rede geral de esgotos só estava presente em 27,4% das casas em 2019, segundo o IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 11h02

RIO – Pouco mais de 9 milhões de lares brasileiros não tinham destinação adequada de esgoto sanitário no ano passado, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 6. 

Entre os 72,395 milhões de domicílios do País, 12,6% indicaram que despejam dejetos diretamente em fossa rudimentar, vala, rio, lago ou mar e outras formas de escoadouro. Na Região Norte, essa destinação era adotada por 29,6% dos domicílios, o equivalente a 1,6 milhão de lares, enquanto a rede geral de esgoto só estava presente em 27,4% das casas da região.

No Nordeste, o despejo inadequado de dejetos alcançava 22,1% das moradias, ou 4,1 milhões de domicílios. Mesmo no Sudeste, 5,5% dos lares estavam nessa condição de precariedade, 1,7 milhão destinavam dejetos dessa forma.

“É um esgotamento precário”, resumiu Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Em 2019, 27,312 milhões de domicílios não possuíam acesso a esgotamento sanitário canalizado e ligado à rede geral. Destes, 17,794 milhões utilizam fossa séptica.

Apesar dos avanços nos últimos anos, o País ainda tinha 8,6 milhões de domicílios em 2019 sem acesso à rede geral de abastecimento de água. Entre os que recebiam a água encanada da rede geral, mais de 6 milhões de lares relataram que o fornecimento tinha interrupções, não era diário.

A coleta de lixo chegou a mais 1,4 milhão de domicílios na passagem de 2018 para 2019, alcançando 66,122 dos lares no ano passado. No entanto, mais de 6 milhões de moradias ainda queimam o próprio lixo ou fazem outro tipo de descarte.

Diferenças regionais

Quanto à posse de bens, a geladeira estava presente em mais de 90% das casas em todas as regiões brasileiras. A máquina de lavar roupa alcançava apenas 66,1% dos domicílios, com diferenças regionais acentuadas: menor presença nos lares do Norte (44,3%) e Nordeste (37,0%), mais elevada no Sudeste (79,1%), Sul (85,8%) e Centro-Oeste (73,7%).

“Isso é uma questão importante, a posse da máquina de lavar, especialmente no Norte e no Nordeste, porque traz uma sobrecarga maior normalmente para a mulher na execução de tarefas domésticas”, ressaltou Adriana Beringuy.

No ano passado, havia automóvel em quase metade dos domicílios brasileiros (49,2%), enquanto 22,2% tinham motocicleta. Em 11,7% das casas havia tanto carro quanto motocicleta.

“No Norte e Nordeste tem mais motocicleta do que automóvel”, disse a analista.

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