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Metais devem escapar ilesos da crise, diz Merrill Lynch

O recente aperto no crédito desencadeado pelos problemas no setor de crédito imobiliário de alto risco de inadimplência dos EUA devem provocar uma pressão de queda de curto prazo sobre os preços das commodities, como os metais, mas a forte demanda dos mercados emergentes vai evitar um colapso dos preços, afirma em relatório a equipe de estrategistas para commodities do banco de investimentos Merrill Lynch.Embora a perspectiva traçada pelo Merrill Lynch para a economia dos EUA seja relativamente negativa, o banco espera que o restante da economia mundial tenha um desempenho muito superior ao dos EUA. Mais do que a crise de crédito, a equipe de pesquisa macroeconômica do Merrill Lynch identifica as pressões inflacionárias como os principais riscos no segundo semestre de 2007. "Possivelmente, o risco de queda mais palpável para a economia global seja um aperto na política monetária ou uma forte valorização da moeda na China, no Oriente Médio e na Rússia", dizem os analistas. "Este risco está lentamente se materializando em muitos dos provedores de capitais do mundo, com a inflação na China, Rússia e Emirados Árabes Unidos atingindo taxas anuais de 5,6%, 8,5% e 10,1%, respectivamente", afirma o relatório. Estas pressões inflacionárias implicam taxas de juros mais altas nestes países, potencialmente contrabalançando uma posição de afrouxamento na política monetária dos EUA. Os estrategistas da área de commodities do Merrill Lynch acrescentam, no entanto, que a probabilidade de uma recessão profunda nos EUA, provocada por um colapso no consumo doméstico, não é desprezível. Neste caso, a economia global será afetada e as perspectivas para as commodities se tornarão muito negativas, alertam.Petróleo e metaisO cenário base dos analistas de commodities continua projetando uma modesta desaceleração nos preços de energia e metais industriais no curto prazo, combinada com um fortalecimento dos preços agrícolas e dos metais preciosos. Num horizonte de 12 meses, a perspectiva para o setor de commodities ainda continua positiva. Os analistas acreditam que os preços do petróleo tendem a cair levemente em relação aos níveis atuais nos próximos seis meses por conta do enfraquecimento da atividade econômica. "Mantemos nossa previsão de preço médio de US$ 66 para o barril do WTI para 2008", afirmam.Enquanto esperam preços levemente mais baixos para o petróleo, os analistas do banco de investimentos afirmam que os fundamentos para os mercados globais de metais apresentam um quadro misto. O desempenho dos metais preciosos, segundo o relatório, deve superar o dos metais industriais, uma vez que a participação dos EUA no consumo global de alumínio e cobre em termos de crescimento para 2008 é relativamente alta. Um aperto no crédito dos EUA seria um evento negativo para o dólar, mas provavelmente positivo para o ouro, que se favoreceria de sua condição de porto seguro, afirmam. "Além do ouro, acreditamos que as commodities agrícolas vão continuar apresentando boa performance no atual ambiente do mercado", acrescentam. A equipe do Merrill Lynch que monitora a economia dos EUA acredita que o crescimento do PIB norte-americano poderá desacelerar para 1,5% em 2008. Neste cenário, a demanda dos EUA por energia e metais industriais poderá desacelerar substancialmente. No entanto, na maioria dos mercados emergentes o orçamento dos governos segue relativamente equilibrado, a inflação está relativamente contida e as reservas estrangeiras nos MIBRICs (México, Indonésia, Brasil, Rússia, Índia e China) fornecem "um excepcional colchão contra uma potencial desaceleração nos EUA", afirma o relatório. Boom asiáticoÀ medida que os EUA começam a reduzir suas taxas de juro, o resultado não intencional poderá ser um boom de liquidez na Ásia no segundo semestre de 2008, prevêem os especialistas. "Por isso, o cenário para as commodities é ainda positivo num horizonte de 12 meses", explicam. Eles afirmam que os fundamentos nos mercados de metais pouco mudaram. Os mercados continuam apertados, como resultado do limitado crescimento da oferta e do forte consumo nos emergentes, China em particular. Nos últimos cinco anos, apenas 5% a 10% do crescimento total do consumo global de metais industriais se deveram aos EUA. Este ano, estima o Merrill Lynch, as economias dos RIC (Rússia, Índia e China) responderão por 88% do crescimento no consumo de alumínio, 86% no de cobre, 88% no do níquel, 64% no de zinco e 95% no de chumbo. VolatilidadeAo mesmo tempo em que reiteram que a demanda por metais dos emergentes evitará um colapso estrutural nos preços dos metais básicos, o Merrill Lynch afirma que a volatilidade dos preços continuará extremamente elevada. Segundo os estrategistas do banco, o cobre e o alumínio são particularmente sensíveis a um enfraquecimento econômico dos EUA. "Aproximadamente 30% do total da demanda de cobre nos EUA vêm do setor de moradia", afirmam. A exposição do alumínio ao mercado residencial norte-americano é bem menor, mas efeitos indiretos, tais como queda nos gastos com consumo, podem pesar sobre o metal. A demanda por alumínio nos EUA é particularmente ligada aos setores de transporte, embalagem e bens de consumo duráveis, todos sensíveis a uma desaceleração na demanda do consumidor.

REGINA CARDEAL, Agencia Estado

28 de agosto de 2007 | 18h42

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