Metalúrgicos ampliam paralisações

Sem proposta de aumento real do salário, mais trabalhadores das montadoras e das autopeças entram em greve

Marcelo Rehder, Paula Pacheco e Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Sem proposta das empresas de aumento real de salários (acima da inflação), os sindicatos de metalúrgicos do Estado de São Paulo e do Paraná ampliam a greve nas montadoras e autopeças. Ontem, mais de 10 mil trabalhadores paralisaram o turno da manhã da Mercedes-Benz, Scania, Ford, Rassini, Mahle Metal Leve e Karman Ghia, todas de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Em São José dos Campos, cerca de 7 mil metalúrgicos do primeiro e segundo turnos da General Motors também cruzaram os braços por 24 horas.

Os sindicalistas prometem mais paralisações hoje. Com a retomada gradual da economia, os movimentos grevistas voltaram ao cenário nacional. Em Diadema, os metalúrgicos devem parar o primeiro turno das autopeças Autometal, TRW e Delga, que somam mais de 2,2 mil trabalhadores.

Com data-base em 1º de setembro, os metalúrgicos pressionam as empresas na tentativa de romper o impasse nas negociações da campanha salarial. Em reunião ontem, as montadoras insistiram na proposta de reposição das perdas com a inflação, cuja variação deve ficar ao redor de 4,7% no acumulado de 12 meses até setembro.

Está marcada para hoje a última rodada de negociação com os sindicatos patronais, cujo resultado poderá definir se a categoria vai ter aumento real, como reivindica, ou se parte para a greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira.

Os metalúrgicos do ABC e de outros sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado de São Paulo exigem aumento real de salários em índice a ser definido na negociação. Já o Sindicato de São José dos Campos, ligado à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), quer 14,65% de reajuste, o que representa 8,53% de aumento real.

Para São José, as montadoras apresentaram proposta rebaixada, com reposição apenas da inflação, de forma escalonada. O índice cheio valeria apenas para quem ganha até R$ 6 mil. A partir daí o índice seria ainda menor.

"É provocação", avaliou o presidente do sindicato, Vivaldo Moreira. "Além de ser o que mais se beneficiou da ajuda do governo com isenção de impostos, o setor automotivo ainda demitiu trabalhadores."

Na manifestação em São Bernardo, os metalúrgicos começaram a se reunir antes das 6 horas da manhã e fizeram uma caminhada de quase um quilômetro. Eles se reuniram em torno do carro de som do sindicato munidos de bandeirolas e placas de protesto com frases do tipo "Aumento, já" e "Chega de enrolação".

"Se for necessário, vamos tomar as ruas novamente", advertiu o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sergio Nobre. "Queremos aumento real, não é, companheirada?"

Em Curitiba, os 2,6 mil metalúrgicos da Volvo do Brasil podem iniciar uma greve na segunda-feira, se as negociações com a empresa não evoluírem.

Ontem , os trabalhadores fizeram paralisação de apenas uma hora, no início da manhã, como forma de protesto contra a proposta apresentada pela montadora. Ela prevê reajuste de 4,44% e R$ 1,5 mil de abono em setembro.

Para o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, com essa proposta os trabalhadores não teriam nenhum aumento real. Eles querem 10% de reajuste, o que inclui aumento real além da inflação, e abono de R$ 2 mil.

A assessoria da Volvo disse que a posição do sindicato, que já ameaça com greve para segunda-feira, foi uma "surpresa", em razão de as negociações ainda estarem em andamento.

Os cerca de 8,5 mil trabalhadores da Volkswagen/Audi e da Renault/Nissan, ambas em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, mantiveram a greve por tempo indeterminado. Na Volkswagen, a paralisação começou no dia 3, enquanto na Renault os trabalhadores pararam no dia seguinte.

O sindicato estima que foram deixados de fabricar 8.660 veículos, até agora. Os metalúrgicos devem se reunir em assembleia na segunda-feira, independentemente de haver novas propostas das empresas.

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