Metalúrgicos anunciam greve na Volkswagen

Metalúrgicos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e à Força Sindical decidiram nesta sexta-feira, em São Bernardo do Campo (SP), que realizarão, a partir da semana do dia 22 de maio, paralisações de advertência nas cinco fábricas da Volkswagen existentes no Brasil. A decisão faz parte da estratégia da categoria para tentar evitar 5.773 demissões, conforme número projetado pelos sindicatos operários, que podem ocorrer nas fábricas da montadora no País, como parte de um plano de reestruturação.De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, vinculado à CUT, o primeiro dia de paralisação será anunciado no dia 19 deste mês. Em cada dia de greve será feita uma manifestação pública para esclarecer para a população o impacto da ação da Volkswagen.Procurada pela Agência Estado, a assessoria de imprensa da companhia informou que a Volks do Brasil não deve se pronunciar sobre a decisão dos metalúrgicos.VersõesNo dia 3 de maio, o presidente do sindicato do ABC, José Lopez Feijóo, afirmou que a montadora pretende demitir, até 2008, os cerca de 6 mil funcionários de três das cinco unidades da empresa no País: em São Bernardo do Campo e Taubaté, no Estado de São Paulo, e São José dos Pinhais, no Paraná. Em 2006, segundo disse Feijóo, na ocasião, haveria redução de 3.016 funcionários, sendo 1.793 em São Bernardo.No mesmo dia, o presidente da Volks do Brasil, Hans-Christian Maergner apresentava a jornalistas, na sede administrativa do grupo, em São Paulo, um plano de reestruturação da montadora, por causa, principalmente, da valorização do real frente ao dólar, que teria impactado as vendas da companhia para fora do País. Apesar do plano, o executivo não definiu um número exato de cortes de postos de trabalho.Impacto mais forteNesta sexta-feira, o sindicato alertou que "mais de 600 mil pessoas podem ser atingidas" pelo eventual plano de demissão da Volks, já que, para cada trabalhador em montadora, existem outros 46 na cadeia produtiva, mais os dependentes familiares. "As paralisações ocorrerão ao nosso tempo e do nosso jeito para que a empresa sinta que ele iniciou uma briga que têm graves conseqüências para a sociedade e para a própria imagem da Volkswagen", afirmou, em comunicado à imprensa, Feijóo.Os metalúrgicos acrescentaram que as greves não ocorrerão somente nas fábricas da Volkswagen, mas em toda a cadeia produtiva. O sindicato do ABC destacou que as paralisações poderão acontecer, por exemplo, em uma empresa fabricante de autopeças. Os representantes dos trabalhadores informaram que, para isso, já iniciaram um processo de mapeamento desta cadeia para verificar os pontos mais importantes para a montadora.Além das fábricas em São Bernardo, Taubaté e São José dos Pinhais, a Volks tem, no Brasil, as unidades de Resende, no Rio de Janeiro, e de São Carlos, no Estado de São Paulo. A montadora emprega cerca 21,5 mil trabalhadores nas cinco fábricas que possui no País.

Agencia Estado,

12 de maio de 2006 | 12h50

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